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Milhares de indígenas colombianos chegam a Bogotá para pressionar Duque

Indígenas colombianos se mobilizam para protestar contra a violência em seus territórios afp_tickers
Este conteúdo foi publicado em 19. outubro 2020 - 01:03
(AFP)

Cerca de 7.000 indígenas colombianos chegaram a Bogotá neste domingo para exigir uma reunião com o presidente Iván Duque, para protestar contra a violência em seus territórios e para se juntar a uma nova "greve nacional" convocada para 21 de outubro.

"Exigimos garantias de vida, de direito à terra e de cumprimento dos acordos de paz", disse à AFP o ex-guerrilheiro das FARC Hermes Pete, assessor do Conselho Regional Indígena do Cauca.

O movimento de protesto indígena começou no dia 10 de outubro no sudoeste do país e progrediu gradativamente até chegar à capital em caravanas de ônibus tradicionais conhecidas como "chivas".

Os indígenas exigem um encontro com o presidente para apresentar suas denúncias sobre a investida de guerrilheiros e outros grupos financiados pelo narcotráfico em seus territórios.

O assessor presidencial, Miguel Ceballos, insistiu que "não há possibilidade de um encontro" com Duque e propôs, em vez disso, um encontro com uma delegação do governo e da Defensoria Pública.

"Isso não é assunto de ministros, é assunto direto do presidente da república", disse Pete.

Os indígenas se instalaram em um complexo esportivo com barracas para abrigar 7.500 pessoas com as medidas de biossegurança necessárias para evitar a propagação do novo coronavírus, disse o prefeito da capital.

Na entrada receberam novas máscaras e passaram por um tradicional ritual de proteção com incenso.

Os indígenas marcharão na segunda-feira em direção à Praça de Bolívar, ao lado da sede presidencial.

Na quarta-feira eles vão se juntar à chamada "greve nacional", um movimento de protesto que começou no final de 2019 em rejeição ao governo e que desde então convocou manifestações.

Com mais de dois anos no poder, Duque enfrentou inúmeras manifestações que questionam os abusos da força pública, suas políticas econômicas e educacionais e a espiral de violência que envolveu ativistas de direitos humanos desde que a paz foi assinada em 2016, com as FARC, a ex-guerrilha que se transformou em partido político.

A organização que agrupa povos indígenas na Colômbia, ONIC, denunciou pelo menos 167 homicídios de seus membros desde que Duque assumiu o poder em 7 de agosto de 2018.

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