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Oposição da Nicarágua avança em coalizão contra Daniel Ortega

Medardo Mairena, do Movimento Camponês, celebra a assinatura do Estatuto da Coalizão Nacional entre sete organizações em Manágua em 25 de junho de 2020. afp_tickers
Este conteúdo foi publicado em 25. junho 2020 - 22:37
(AFP)

A oposição nicaraguense aprovou nesta quinta-feira(25) os estatutos para constituir uma coalizão nacional que pretende confrontar o partido do presidente Daniel Ortega nas eleições de 2021, informaram seus líderes.

O bloco pede uma reforma no sistema eleitoral, com o objetivo de legalizar a coalizão e garantir um processo transparente.

"Esses estatutos dão por formada uma coalizão nacional" para "construir a nova Nicarágua", disse um dos dirigentes do Anexa Alfred, em uma cerimônia cercada pela polícia na capital.

O regulamento foi assinado por membros de sete movimentos e organizações políticas, incluindo a Unidade Nacional Azul e Branca (UNAB), que une 90 grupos, e a Aliança Cívica pela Justiça e Democracia (ACJD).

Ambos surgiram após os protestos de 2018 contra uma reforma da previdência, que passaram a exigir a saída do presidente, após uma severa repressão que deixou 328 mortos, segundo grupos humanitários.

Há também o movimento camponês que nasceu há sete anos em oposição ao frustrado projeto chinês de construir um canal interoceânico, o partido indígena Yatama e o Partido Constitucionalista Liberal (PLC, direita), que tem representação parlamentar e governou o país entre 1997-2002.

"Este é o momento de mostrar que estamos unidos por esse povo que sofre e precisa sair dessa ditadura", disse o líder camponês Medardo Mairena, que passou quase um ano na prisão por apoiar os protestos de 2018.

A coalizão será presidida por um Comitê Nacional, com representantes das sete organizações, que deve eleger um coordenador mensalmente, segundo o texto.

O grupo vai trabalhar na organização territorial e na constituição de uma aliança nacional para 2021 além de definir os mecanismos para a seleção de candidatos à eleição popular.

O líder da oposição Juan Chamorro disse à AFP que a libertação de 86 dissidentes do governo é uma das prioridades da coalizão.

Com a assinatura dos estatutos, os líderes da coalizão avançaram na unificação para tentar tirar Ortega do poder.

O ex-guerrilheiro de 74 anos é acusado de governar com autoritarismo e corrupção desde 2007.

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