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Peru encerra primeira fase de testes da vacina chinesa em 12.000 voluntários

Enfermeira prepara seringa para aplicar vacina contra a covid-19 produzida pelo grupo chinês Sinopharm, em Lima afp_tickers
Este conteúdo foi publicado em 10. dezembro 2020 - 18:10
(AFP)

O Peru encerra esta semana a primera fase dos ensaios clínicos de uma potencial vacina chinesa contra a covid-19, aplicada a 12.000 voluntários, enquanto se aproxima de um milhão de casos confirmados do novo coronavírus.

A vacina do grupo chinês Sinopharm consiste em duas doses que são administradas a cada voluntário com um mês de intervalo. O teste é conduzido por equipes médicas de duas universidades peruanas.

A aplicação da primeira dose terminará neste sábado, mas já começou, em paralelo, a aplicação da segunda aos primeiros voluntários, explicou à AFP o médico Germán Málaga, principal responsável pelos testes no Peru.

Se os resultados dos testes clínicos forem positivos, o governo peruano pretende comprar 20 milhões de doses para imunizar dois terços da população peruana. Os resultados serão conhecidos nas primeiras semanas de 2021.

"Esta seria a primeira vacina totalmente disponível para trazer, durante o nosso verão, as 20 milhões de doses que são necessárias. O laboratório chinês tem capacidade para abastecer o país com essa vacina", acrescentou Málaga.

"Não vamos estar seguros até que todos estejam vacinados", acrescentou o pesquisador da Universidade Peruana, Cayetano Heredia.

- "Medo" -

A vacina é aplicada por injeção intramuscular, no braço. Os voluntários foram divididos em três grupos: alguns receberam a cepa de Wuhan, outros a cepa de Beijing, e o restante recebeu um placebo.

A primeira dose foi aplicada nos laboratórios da Universidade Cayetano Heredia, localizada no populoso bairro de San Martín de Porres, no norte de Lima. Para a segunda dose, em vez disso, no mesmo campus, uma quadra de basquete foi coberta com uma tenda para transformá-la em um consultório.

De forma voluntária, 12.000 peruanos participam do estudo.

"Tenho pais mais velhos (...) eu os vi muito cansados, saturados, deprimidos com essa pandemia. Então, sinto que de alguma forma estou contribuindo [para o país], é para o benefício das nossas famílias", contou à AFP a voluntária Alma Quiñones Gallardo, de 23 anos, que estuda para ser controladora de tráfego aéreo.

"Tive medo, porque é uma vacina experimental", mas, "como é a segunda dose, já estou mais calmo", acrescentou Quiñones, que afirmou que após a primeira dose se sentiu mal por dois dias, teve febre e vômitos.

A Universidade de San Marcos também participa dos testes.

Uma vacinação nacional contra o novo coronavírus, que seria gratuita, implica enormes desafios logísticos para o sistema de saúde peruano, esgotado após uma pandemia que já dura nove meses.

O país andino também vive uma recessão econômica e passa por um período de instabilidade política marcado pela sucessão de três presidentes no cargo em uma semana em novembro passado.

"Vacinar 20 milhões de pessoas levará cerca de seis meses e significa vacinar mais de 100.000 pessoas por dia", explica Málaga.

"Devemos ser vacinados antes da primavera do Peru, em setembro de 2021", acrescentou o especialista.

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