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Presidente argentino se preocupa com reação de Bolsonaro diante da pandemia

Fernández confessa temer que o Brasil "entre na mesma espiral (de contágios) que a Espanha, Itália ou EUA afp_tickers
Este conteúdo foi publicado em 30. março 2020 - 16:36
(AFP)

O presidente argentino, Alberto Fernández, considerou nesta segunda-feira (30) que a estratégia de seu colega brasileiro, Jair Bolsonaro, diante da pandemia do novo coronavírus pode levar seu principal sócio comercial a uma espiral de contágios.

"Complicado e lamento muito que não entenda a dimensão do problema", disse à Radio con Vos ao ser questionado sobre o pedido de Bolsonaro aos brasileiros para que retomem suas atividades normalmente apesar do avanço da pandemia no Brasil, onde se registram mais de 4.000 casos e 130 mortes.

A Argentina compartilha com o Brasil uma fronteira de cerca de 1.100 km de extensão e é o principal destino de suas exportações.

"O Brasil é 70% do Produto Bruto sul-americano e nosso principal parceiro econômico", destacou Fernández.

"Temo que com essa lógica (o Brasil) entre na mesma espiral (de contágios) da Espanha, Itália ou Estados Unidos, que quando declararam a quarentena já era tarde", enfatizou.

Bolsonaro afirmou no domingo que " o Brasil não pode parar", em discurso oposto ao do seu ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, que havia ressaltado a importância do isolamento social na luta contra a doença.

Na opinião de Bolsonaro, "se não morrer da doença, morre de fome".

A Argentina tomou o caminho contrário e, além de de fechar as fronteiras, o governo estendeu no domingo por mais duas semanas, até 12 de abril, uma quarentena obrigatória que começou em 20 de março.

"Aos argentinos, minha gratidão porque entendem a razão do que peço e sinto que acompanham a ideia", disse Fernández sobre o confinamento obrigatório, que foi amplamente acatado.

A Argentina registrou até esta segunda-feira 820 casos positivos do novo coronavírus e 22 mortos, segundo o último balanço oficial.

O país sul-americano está se preparando com o condicionamento de mais leitos hospitalares e a aquisição e produção de suprimentos para um eventual pico de contágios, projetado para o início de maio.

Apesar das medidas antecipadas de isolamento para conter as infecções, o presidente argentino admitiu que a situação será difícil.

"Teremos dificuldades, haverá mais contágios e pessoas morrerão, mas quero que nos doa o mínimo possível", declarou.

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