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Tribunal argentino chama para depor ex-chefe da Interpol no caso AMIA

Fachada do prédio da Associação Mutual Israelita-Argentina (AMIA) em Buenos Aires, 18 de julho de 2017 afp_tickers
Este conteúdo foi publicado em 22. agosto 2020 - 00:52
(AFP)

Um tribunal argentino convocou nesta sexta-feira (21) dois ex-altos funcionários da Interpol para depor como testemunhas no caso em que a ex-presidente Cristina Kirchner é acusada de encobrir iranianos envolvidos no atentado contra o centro judaico AMIA.

Os juízes estão dispostos a "adiantar a produção de provas e convocar" Ronald Noble, ex-secretário-geral da Interpol, e Joel Sollier, ex-conselheiro-geral da entidade, "para prestar depoimento testemunhal para os dias 5 e 19 de outubro de 2020", respectivamente, por videoconferência, anunciou a resolução judicial.

A declaração faz parte da causa levada a julgamento pelo falecido juiz Claudio Bonadio com base em uma denúncia do procurador Alberto Nisman, que acusou em 2015 a ex-presidente (2007-2015) e atual vice-presidente Cristina Kirchner de assinar em 2013 um acordo com o Irã, que nunca foi aplicado.

Quatro dias antes de ser encontrado morto por um tiro, em 18 de janeiro de 2015, Nisman acusou o governo argentino de tentar encobrir ex-altos funcionários iranianos que o procurador havia acusado de organizar o ataque contra a Associação Mutual Israelita-Argentina (AMIA), que causou a morte de 85 pessoas e deixou 300 feridos em 1994, em Buenos Aires.

De acordo com a acusação, a Argentina se comprometia a defender a prescrição dos mandados de prisão enviados pela Interpol contra os iranianos acusados.

Questionado pela imprensa, Noble negou ter recebido um pedido deste teor de alguma autoridade argentina e garantiu, pelo contrário, que o então chanceler Héctor Timerman insistiu na manutenção da vigência dos mandados de prisão.

Kirchner e Timerman, que estava sendo processado quando faleceu de câncer em 2018, insistiram que o acordo era uma tentativa de destravar a investigação do caso AMIA, que estava parado há mais de 20 anos.

A acusação de Nisman foi descartada em várias instâncias jurídicas até que, em 2016, foi reaberta por Bonadio, que mandou o caso à sustentação oral, quando foram acatados 320 testemunhos.

O tribunal integrado pelos juízes Gabriela López Iñíguez, José Michilin e Daniel Obligado convocou uma audiência preliminar para 14 de dezembro, na qual serão determinados as datas e os horários das audiências do julgamento e o coronograma de testemunhos.

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