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Uma ex-presidente quer ser chefe da ONU ... mas sua candidatura é simbólica

A ex-presidente equatoriana Rosalia Arteaga (à esquerda) busca "desorganizar" o sistema de designação do secretário-geral da ONU com uma candidatura simbólica promovida pela sociedade civil afp_tickers
Este conteúdo foi publicado em 05. maio 2021 - 17:44
(AFP)

A ex-presidente do Equador Rosalía Arteaga pretende ser secretária-geral da ONU com uma candidatura simbólica promovida pela sociedade civil.

Seu objetivo? “Pertubar” a provável reeleição de Antonio Guterres e reformar o sistema.

Arteaga garantiu nesta quarta-feira(5) em videoconferência à imprensa que tem o apoio do governo equatoriano, necessário para uma candidatura formal à chefia da ONU. O cargo é ocupado desde 2017 pelo português Guterres, que se candidata à reeleição para um mandato de cinco anos.

Mas Arteaga pediu a Quito que não apresentasse sua candidatura formalmente, pois quer ser "candidata da sociedade civil", e assim causar uma "perturbação" nas Nações Unidas e reformas em seu sistema eleitoral interno.

“Em mais de 70 anos, o fato de uma mulher nunca ter sido secretária-geral da ONU é algo que devemos mudar e devemos mudar porque a sociedade mundial está pedindo isso”, disse Arteaga, 64 anos, que governou brevemente o Equador em 1997.

- Um "processo incrivelmente opaco" -

“Não estou rejeitando o apoio do governo equatoriano”, mas “acho melhor manter esta candidatura simbólica”, explicou.

“Chegou a hora da sociedade civil apresentar candidatos sem o apoio dos países”.

Sua candidatura é promovida pelo Forward, um movimento progressista criado há um mês e meio por jovens ativistas baseados em Londres que buscam "desafiar o secretário-geral da ONU" e denunciar o processo eleitoral "incrivelmente opaco" da organização que não aceita candidatos da sociedade civl, disse sua cofundadora Andrea Venzon.

“O processo seletivo para o maior posto diplomático do mundo não pode ser feito como um clube masculino. Temos que resolver isso (...) Vamos continuar lutando por reformas (...) para que a sociedade civil possa participar”, afirmou Venzon. Ela garante que a candidatura de Arteaga é apoiada por “milhares de pessoas de mais de 70 países”.

Se designada, ela disse que sua plataforma se concentrará na defesa dos direitos das mulheres, direitos humanos, luta contra as mudanças climáticas, questões de gênero e "o processo de vacinação" que deve ser "universal" e do qual Guterres "não fala muito".

O mandato de Guterres, de 72 anos, termina no final de dezembro, e caberá à Assembleia Geral da ONU confirmar formalmente sua prorrogação para um segundo e último mandato durante o ano. Os cinco membros do Conselho de Segurança (China, Estados Unidos, França, Reino Unido e Rússia), cuja aprovação é fundamental, o apoiam, disseram fontes diplomáticas à AFP.

Os candidatos a secretário-geral devem apresentar os seus programas à Assembleia Geral nesta sexta-feira, mas o único candidato oficial é Guterres, oficialmente apoiado por Portugal.

Além de Arteaga, há outras sete “solicitantes”, incluindo várias mulheres, sem apoio formal de seus países.

O Conselho de Segurança rejeita candidatos que não têm o apoio de seus países, segundo o presidente da Assembleia Geral.

Arteaga foi vice-presidente do Equador de 1996 até fevereiro de 1997, quando o então presidente Abdalá Bucaram foi afastado do cargo por incapacidade mental.

Bucaram foi imediatamente substituído pelo presidente do Congresso, mas Arteaga lutou para ser nomeada presidente conforme previsto na Constituição.

Ela conseguiu e foi indicada como a primeira presidente do Equador, mas seu mandato durou apenas alguns dias, pois ela renunciou quando o Congresso reformou rapidamente a Constituição para que o chefe do Legislativo pudesse voltar a assumir o comando.

Em fevereiro, Honduras convocou os 193 países que integram a ONU a apresentar candidaturas de mulheres ao cargo de secretária-geral, mas não houve resposta.

Outra equatoriana, a ex-chanceler María Fernanda Espinosa, foi a primeira mulher latino-americana a presidir a Assembleia Geral da ONU em 2018-2019.

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