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Artista mostra beleza dos “bunkers” suíços

Bunker suíço da época da Segunda Guerra pintado por artista desconhecido. (foto: www.leofabrizio.com) swissinfo.ch

O jovem artista Leo Fabrizio fotografou mais de 400 “bunkers” em todo o país. Exposição mostra que suíços são mestres da estética na construção de fortificações.

Construídos no passado, esses abrigos secretos armados de canhões serviriam para defender a Suíça em caso de invasão. Porém nunca foram usados.

“Danger Zone” é o nome da exposição aberta no início de setembro no Pavilhão de Arte de Berna. Ao todo, oito artistas suíços e estrangeiros exibem sua visão particular das montanhas suíças.

Dentre eles, um jovem fotógrafo de Lausanne se destaca pelo curioso objeto de estudo das suas paisagens: bunkers.

Suas fotos mostram estranhas fortificações – umas camufladas e outras facilmente reconhecíveis – que existem espalhadas por todo o território suíço, incluindo as regiões alpinas a partir dos dois mil metros. Não é por acaso, que muitos jornalistas consideram a Suíça como “um país mais furado do que queijo Emmental”.

Artista premiado

Leo Fabrizio tem 26 anos e concluiu há um ano o curso de artes na Escola Cantonal de Arte de Lausanne. Nesse ano ele ganhou o Concurso Federal de Design 2003, uma das distinções mais prestigiosas do mundo da arte na Suíça. Além do prêmio, o jovem artista ganhou também uma bolsa de estudos, que permite continuar sua autodenominada “obsessão”.

“Desde a minha infância me interesso pelos bunkers. Eu sempre me perguntei por que o governo suíço construiu essas coisas tão feias em lugares tão bonitos”, explica o fotógrafo.

“Durante três anos caminhei por campos, florestas, desfiladeiros e montanhas à procura dessas fortificações. Eu desprezo sua realidade militar. Quero apenas captar a interação dos bunkers com típica a paisagem suíça, mostrando no final a estética dessas obras e suas camuflagens minuciosas”.

Bunkers nunca entraram em ação

Os bunkers suíços nunca foram utilizados. Construídos em massa a partir da Primeira Guerra Mundial, eles são a conseqüência do medo da Suíça de ser invadida por potências estrangeiras. Depois da queda do Muro de Berlim e com o fim da chamada “Guerra Fria”, essas instalações perderam a importância estratégica e estão sendo, aos poucos, desativadas pelo exército suíço.

Segundo cálculos publicados nos jornais, ainda existem espalhados pelo território suíço 13 mil fortificações, incluindo bunkers, fortalezas e obstáculos para tanques de guerra.

O sistema é tão variado que inclui, além das casamatas encontradas pelos turistas nas montanhas e campos, comandos centrais em cavernas, aeroportos encravados nas montanhas, hospitais e até mesmo estúdios de TV subterrâneos.

Mil e uma utilidades

Nos últimos anos, sete mil dessas instalações foram vendidas pelo governo federal às comunas ou investidores privados. Os exemplos de utilização das fortificações são bem diversos:

– em Amsteg, povoado próximo da passagem dos Alpes do Gotthard, o governo suíço vendeu à empresa Swiss Data Safe AG um bunker que, durante a Segunda Guerra Mundial, serviria de abrigo para seus ministros. O investidor transformou as instalações num depósito de alta segurança para bens particulares como obras de arte, documentos e até mesmo cópias de seguranças de arquivos digitais de bancos e seguradoras.

– em Witikon, um bairro de Zurique, o governo local decidiu em novembro de 2002 abrigar os solicitantes de asilo em bunkers anti-aéreos de uma escola local.

– em Widen, no cantão de Aargau, produtores de mel passaram a utilizar os bunkers externos como depósito de colméias.

– em Vitznau, no cantão de Lucerna, uma fortaleza cravada em pedra, construída em 1943 e equipada com canhões e lançadores de granadas, foi vendida em 1998 à prefeitura da localidade, que transformou a obra num hotel, o “único hotel-fortaleza” da Suíça.

Forças armadas reconhecem trabalho do fotógrafo

Leo Fabrizio conseguiu fotografar 400 desses bunkers. Seu trabalho foi notado até mesmo pelas forças armadas suíças, que resolveram contratá-lo para registrar em papel outras fortificações, incluindo aqueles que ainda são secretas e de uso militar.

“O que me fascina nessas construções é a sua riqueza de detalhes. Existem bunkers construídos como se fossem chalés de montanha, com janelas pintadas a mão, de onde saíam enormes canhões. Outros recebem camadas de pedra imitando com delicadeza o contorno das montanhas. Porém algumas dessas fortificações são horríveis e saltam aos olhos. Localizados nas fronteiras, eles queriam dizer -para os inimigos nas fronteiras: – “Atenção! Nós estamos de olho”.

swissinfo, Alexander Thoele em Lausanne

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