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Monitoramento das florestas ao alcance de todos

Árvores queimadas na região de Xapuri, na floresta Amazônica. Keystone

Uma parceria firmada entre o Inpe do Brasil e Group on Earth Observations (GEO) torna gratuito um software para sistematizar a base de dados resultante do monitoramento por satélites do desmatamento na Amazônia.

Conhecido como TerraAmazon, o sistema criado pelos pesquisadores brasileiros é considerado exemplar no meio científico.

Uma parceria firmada entre o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) do Brasil e a organização internacional Group on Earth Observations (GEO), que tem sede em Genebra, permitirá que, a partir do segundo semestre de 2008, o software criado para sistematizar a base de dados resultante do monitoramento por satélites do desmatamento na Amazônia seja utilizado em todo o mundo de forma livre e gratuita.

Conhecido como TerraAmazon, o sistema criado pelos pesquisadores brasileiros é considerado exemplar no meio científico. No Brasil, o software consolida todos os dados levantados desde 1997 pelo Projeto de Monitoramento do Desmatamento na Amazônia Legal (Prodes). Desenvolvido pelo Inpe e utilizado como referência pelo Ministério do Meio Ambiente nos últimos cinco anos, o Prodes informa em relatórios anuais, com precisão, qual é a dinâmica do desmatamento na maior floresta do planeta.

Graças à parceria entre o Inpe e o GEO, toda a tecnologia de sistematização de dados desenvolvida no TerraAmazon estará disponível para quem a quiser utilizar, em qualquer parte do mundo, na análise das informações sobre áreas de floresta trazidas pelos satélites. O acesso ao TerraAmazon se dará através do sistema GEOSS (Global Earth Observation System of Systems) desenvolvido pelo GEO na Suíça.

Grupo intergovernamental criado para atuar juntamente à Organização Meteorológica Mundial (OMM), o GEO é composto atualmente por 71 países e pela Comissão Européia, além de cerca de 50 organizações não-governamentais de diversos pontos do globo. Diretor do Secretariado do GEO, o francês José Achache comemora a parceria com o Inpe: “É uma iniciativa de grande importância, pois o TerraAmazon é uma valiosa contribuição do Brasil para o combate ao desmatamento em todo o mundo”, diz.

A facilidade de acesso ao sistema foi outro ponto saudado pelo executivo da GEO: “Com a disponibilização gratuita do TerraAmazon, poderemos gerar e distribuir informações que serão fundamentais na hora da tomada de decisões rápidas e precisas sobre a preservação do meio ambiente”, diz Achache.

Software livre

Coordenador do Programa Amazônia do Inpe, Dalton Valeriano também ressalta a importância da disponibilização de um software livre: “O TerraAmazon é um programa que tem seu código totalmente aberto e que se utiliza das ferramentas que estão disponíveis na biblioteca de rotinas TerraLib, que é uma biblioteca aberta também”.

Valeriano aponta outras qualidades do sistema: “Ele está preparado para agilizar o processo de análise, edição e produção de informação tabular. Tudo isso a gente consegue fazer de uma maneira rápida, num banco de dados extremamente ágil, cobrindo um espaço de cinco milhões de quilômetros quadrados”, diz.

O usuário que utilizar o TerraAmazon vai ganhar tempo, garante o brasileiro, “Esse sistema possibilita o acompanhamento em tempo real do trabalho do analista. Na medida em que ele vai fazendo sua atividade, o banco de dados é alimentado e pode ser consultado por terceiros. O sistema admite também imagens de fontes variadas, e qualquer tipo de dado pode ser assimilado, inclusive com resolução diferente, etc. A única coisa padronizada é o referenciamento geográfico, no mais o sistema aceita qualquer tipo de dado”, explica.

CBERS

Além do TerraAmazon, a promissora parceria entre o Inpe e o GEO pretende disponibilizar em breve para outros países os dados coletados pelo CBERS (Satélite Sino-Brasileiro de Recursos Terrestres, na sigla em inglês): “Há três anos, o Inpe já disponibiliza as imagens do CBERS para a América do Sul, no alcance da antena de Cuiabá, no Mato Grosso. Ela deixa de alcançar apenas a parte Noroeste da Colômbia e a parte Leste do Equador, além do terço Sul do Chile e da Argentina. Estes dados estão disponíveis na internet para qualquer usuário que queira baixa-los”, afirma Dalton Valeriano.

Por intermédio do GEO, o instituto brasileiro pretende ampliar em breve esta oferta: “O Inpe tem planos para, dentro de um ano ou dois, disponibilizar as imagens coletadas pelo CBERS também para a África e, num futuro um pouco mais distante, para o Sudeste Asiático”, diz Valeriano.

Com a divulgação das imagens do CBERS e a disponibilização do TerraAmazon, o Inpe se torna referência no combate ao desmatamento em todo o mundo: “Nossa intenção é fazer a transferência da metodologia dando também os meios para que ela possa ser implementada por outros países. Ou seja, dando as imagens e dando um software que foi totalmente desenhado pra isso”, explica o coordenador.

A decisão de Brasil e China foi bem recebida por José Achache: “As imagens do CBERS serão úteis para aspectos muito variados, que vão desde a previsão de desastres naturais como maremotos, furacões ou inundações e seus conseguintes focos epidêmicos, até melhorar a gestão energética e de água ou supervisionar tarefas de desativação de campos minados”, diz.

swissinfo, Maurício Thuswohl, Rio de Janeiro

O Projeto de Monitoramento do Desmatamento na Amazônia (Prodes) é a principal ferramenta utilizada pelo Ministério do Meio Ambiente para monitorar a floresta por intermédio de satélites. Os relatórios do Prodes são divulgados a cada doze meses e, por razões climáticas, sempre abrangem o período que vai de agosto de um ano a julho do ano seguinte.

Foi com base nos dados produzidos pelo Prodes que o governo brasileiro pôde comemorar a redução do ritmo do desmatamento da Amazônia por três anos consecutivos. Desde 2004, segundo o monitoramento dos satélites, a destruição da floresta diminuiu 59%.

Essa realidade, no entanto, deve mudar no próximo relatório do Prodes, a ser divulgado no meio do ano. Fatores como o aumento do preço da soja e da carne bovina no mercado internacional, entre outros, fizeram com que o desmatamento voltasse a se acelerar. Dados preliminares, compreendendo o período de agosto a dezembro do ano passado, mostram que ocorreu um aumento de 10%.

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