O tribalismo seduz cada vez mais os jovens
Nômade, colecionador de identidades e sensível ao outros. Esse e o perfil da juventude suíça, levantado num estudo publicado há poucos dias em Genebra.
Seus autores tentam criar um sistema de observação da juventude suíça, através deles próprios.
“Por tudo que existe de bom e tudo que existe de mal, o emblema da nossa época é a adolescência eterna”, opina o sociólogo francês Michel Naffesoli frente ao trabalho da BlueComm, uma empresa de pesquisa e aconselhamento estratégico sobre a “juventude”.
Essa pesquisa de opinião, realizada em toda a Suíça através de questionários respondidos por 500 pessoas com idades que variam dos 15 aos 24 anos, tinha o objetivo de avaliar os valores e as atitudes que os guiam.
A pesquisa, intitulada “Geração Atitude 03”, foi coordenada pela pesquisadora Caroline Jacot-Descombes e é a segunda no seu gênero.
Entre os dois trabalhos já se identifica uma mudança considerável nos valores. “Nós assistimos o fim do individualismo exacerbado, que era mais presente na juventude há dois anos atrás”, revela Philippe Barthollet, diretor da BlueComm.
Identidade múltipla
“Os jovens de hoje em dia”, continua Barthollet, “não querem mais fazer fortuna sozinhos. Agora eles pensam mais em contar com a ajuda de outras pessoas para desenvolver suas idéias”.
O fenômeno das tribos, já sublinhado na penúltima pesquisa da BlueComm (e teorizado por Michel Maffesoli) acabou sendo reforçado.
“Em face de multiplicidade de escolhas, de valores e de informações oferecidas pela nossa sociedade, os jovens encontram nos seus grupos um espaço seguro para desenvolver as suas próprias personalidades”, afirma ainda Philippe Barthollet.
Mas essa identidade tem facetas múltiplas, que podem até mesmo ser contraditórias, de acordo com a situação.
Trata-se de uma atitude justificada segundo Michel Maffesoli: “Não existe mais o futuro, como mostra o desinteresse pela política, cujo objetivo principal é de criar projetos. Os jovens investem completamente no presente e organizam suas vidas no dia-a-dia”.
Um núcleo de contestadores
Seriam os jovens contestadores? A resposta comum de Maffesoli e da pesquisadora Jacot-Descombes é “não”. Segundo eles, os jovens mostraram no estudo serem “relativistas”.
“Face à enorme quantidade de escolhas, o jovem opta por uma atitude, sem abandonar as outras. Ele se recusa de se fechar num estilo ou numa marca”, sublinha Jacot-Descombes.
O estudo também identificou nove diferentes tipos de atitude, que se exprimem, sobretudo, no vestuário ou na musica.
Caroline Jacot-Descombes nota, igualmente, que 21% dos jovens interrogados possam ser classificados numa categoria de “contestadores”, onde seus hábitos de consumo e suas atitudes correspondem às idéias que eles defendem.
Para os outros, o humor é mais volátil e vagabundo, sejam eles “core” (para os que gostam de sensações fortes), ou “glam” (para os que preferem as sensações “superficiais”, loucos pela moda e da vida noturna nas discotecas, neo-hippie ou pós-moderno, que são os misturadores de estilos antigos.
Um observatório dos jovens
De acordo com os resultados da pesquisa, existe apenas uma segurança: os jovens, na sua maioria, são apaixonados pelas tecnologias de informação. Mais de 62% dos entrevistados estimam também que a tecnologia mudou sua vida positivamente.
Apesar das informações obtidas, a empresa BlueComm está convencida que as posições dos jovens muda constantemente. “Por isso nosso objetivo é nos tornar um observatório da juventude, através do trabalho dos nossos pesquisadores, em grande jovens sociólogos.
swissinfo, Fréderic Burnand, Genebra.
– 85% dos jovens que responderam à entrevista tem um telefone portátil.
– 16% dos jovens nunca utilizam a Internet.
– 47% utilizam uma vez por dia a Internet.
– 37% entram mais de uma vez por dia a web.
– 42% dos jovens interrogados, já fizeram compras pela internet.
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