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Rock e música clássica para celebrar 150 anos de amizade

A orquestra da Suíça Italiana (OSI) orchestradellasvizzeraitaliana.ch

A Orquestra da Suíça Italiana prepara um concerto fora dos padrões normais. Os acordes de composições clássicas deverão fazer coro com notas de puro “rock and roll” da histórica banda italiana Premiata Forneria Marconi - PFM - e vice-versa.

Este conteúdo foi publicado em 21. agosto 2011 - 10:22
Guilherme Aquino, Milão, swissinfo.ch

O concerto inédito é uma iniciativa em homenagem aos 150 anos da União da Itália e ao imediato reconhecimento diplomático da Suíça ao nascimento da nova nação.

A festa contartá ainda com a presença de músicos da  orquestra do teatro La Scala. Ela será realizada no teatro Arcimboldi, em Milão que vai servir de moldura e caixa acústica para a gravação do projeto PFM in Classic.

O concerto, dia 23 de setembro, será dividido em duas partes. A primeira terá como repertório peças clássicas de autores como Mahler, Rossini, Mozart, Mendellson, Saint Saens, Prokofiev e Verdi.

A segunda parte será com a apresentação da banda PFM, com clássicos do grupo arranjados como clássicas, para a execução de orquestra. “Esta é uma bela oportunidade para a Orquestra conhecer um novo público, jovem, ampliar o horizonte, é um projeto importante no qual representamos a Suíça. Acho que vai ser uma espécie de colagem, entre nós e a PFM”, diz à swissinfo.ch. Denise Fedeli, diretora da OSI. A orquestra suíça tem 41 membros que, para chegar a 65, vai contar com integrantes da Orquestra de Câmera do Teatro La Scala.

E se a música clássica é uma ancestral dos diferentes gêneros, é natural encontrar no rock referências “genéticas”. No DNA musical da banda italiana, o clássico está integrado.

“Hoje, depois de cinco mil concertos pelo mundo, sentimos o desejo de voltar à grande mãe e retomar a musica clássica.  Tocar com uma orquestra em um concerto completo é um sonho nunca antes realizado, ainda que nos primeiros discos existiam faixas executadas com uma orquestra, porque a escritura daquelas canções eram inspiradas em sinfonias”, disse à swissinfo.ch, Iaia De Capitani, empresária, coreógrafa e diretora da PFM.

Origens cruzadas

O trabalho de adaptação repertório rock para uma versão orquestrada consome as férias dos músicos. Nesta época do ano, os concertos de verão estão na ordem do dia e, com eles, os ensaios nas horas vagas. Mas para os integrantes da Orquestra da Suíça Italiana este tipo de apresentação, não é uma novidade. “Temos uma altíssima qualidade, estuda-se muito em casa, tocamos todos os anos no festival de jazz de Lugano, com estilo pop-rock, ainda que o forte do nosso repertório esteja entre os séculos 18 e 19”, diz  Denise Fedeli, diretora da OSI, à swissinfo.ch.

A banda PFM também tira de letra o encontro entre o pop, o rock e a clássica. O grupo nasceu no começo dos anos 70, quando o rock progressivo ganhava a cena musical na Europa e nos Estados Unidos. A PFM navegava nas diferentes tendências, mas está à vontade para retornar às origens.

“Quando decidimos abraçar a música progressiva, em 1970, cujo  estilo  é composto de grande expressão que deriva da música popular, do jazz, da música sinfônica, do rock e do blues, tínhamos paixão pelos grandes compositores como fonte  artística e espiritual”, diz De Capitani.

Ao contrário dos músicos da Orquestra da Suíça Italiana, nenhum deles frequentou o conservatório.. Mas os roqueiros tiveram professores particulares que os iniciaram nas trilhas clássicas. Os anos de estrada fizeram o resto e incrementaram a paixão pela música clássica. Já os componentes da OSI, pelo menos muitos  deles, fizeram os primeiros acordes no Conservatório da Suíça Italiana.

“Quando me apresentaram o projeto de fundir o rock com a clássica pensei que era muito original para ser realizado. Mas me convenci da necessidade cultural de concretizá-lo”, diz o presidente da Província de Milão, Guido Podestà, um dos patrocinadores, junto com o Ministério das Relações Exteriores, através do Consulado da Suíça, em Milão. “Este concerto realça a amizade entre os dois países”, afirmou Massimo Biaggi, cônsul suíço.

Na estrada

Os 41 integrantes da Orquestra estão sempre no palco, em concertos pequenos para famílias, em localidades e vilarejos suíços, em eventos maiores como o citado festival de jazz de Lugano e a Semana Musical de Ascona. E isso sem falar nos incontáveis concertos de auditório pelo mundo. “Estamos acostumados a fazer gravações radiofônicas rapidamente, gravamos muitos discos”, afirma a diretora Denise Fedeli. Enfim, experiência é o que não falta.

Mesmo com tanta bagagem musical, os integrantes da PFM estão vivendo uma expectativa inédita. Grandes bandas de rock gravaram espetáculos acompanhados de orquestras sinfônicas. Para  a banda italiana, esta vai ser a primeira vez, ainda que outras experiências menores tenham sido feitas no passado e recentemente. Neste ano, durante a cerimônia de beatificação do Papa João Paulo II, em Roma, a PFM executou a música de própria autoria, Celebration, com orquestra e coro dirigidos pelo maestro Bruno Santori, o mesmo que irá dirigir o concerto com a Orquestra da Suíça Italiana.

“Tivemos alguns encontros com formações menores, mas nunca com uma orquestra completa. Uma vez tocamos “ La luna nuova”, uma pequena suíte, rica em orquestração, de arranjo elétrico e várias mudanças de tempo, com o orquestra do maestro Renato Serio, no monastério de Santa Chiara, em Nápoles. Outra vez tocamos com um quarteto de cordas a Abertura de Nabuco, de Verdi. Este número com matizes de blues, foi um grande sucesso e serviu de ensaio para o projeto PFM in Classic”, diz De Capitani.

“A ideia de repassar com instrumentos, timbres e improvisações típicas da música moderna alguns dos grandes clássicos da música sinfônica será uma experiência criativa para os músicos que trabalham em ambientes muito diferentes e possuem o desejo de superar as barreiras de estilos”, disse Gianluca Scandola, presidente dos “Cameristi della Scala”.

O espetáculo da Orquestra da Suíça Italiana e da Premiata Fonderia Marconi será também uma oportunidade para a plateia ouvir dois mundos distintos mas não distantes entre si. E uma prova de que a música, em sua linguagem universal, é capaz de abater fronteiras de preconceito sem desafinar. Dos laços diplomáticos àqueles musicais, em tempos de crise, todos os arranjos são bem vindos.

Mais detalhes

“A Flauta Mágica”, “Nabucco”, “ A Dança Macabra”, “Romeu e Giulieta”, são algumas das composições que serão apresentadas durante o concerto da PFM com a OSI, em 23 de setembro de 2011, no teatro Arcimboldi, em Milão.

A OSI atrai a Lugano os mais celebrados solistas da atualidade, como Martha Argerich, Heinz Holliger, Alexander Vedernikov.

A Orquestra da Suíça Italiana é uma das treze formações profissionais na Suíça.

Ela foi criada em 1936, em Lugano, como Orquestra da Radio Monte Ceneri.  O atual nome seria adotado apenas em 1991.

A OSI já foi dirigida por nomes como Stravinskij, Stokowsky, Celibidache, Scherchen.

A orquestra dos “Cameristi della Scala” começou as atividades em 1982 e é formada por músicos da Orquestra do “Teatro alla Scala” e da” Filamornica dalla Scala”.

A banda PFM é formada por Fraz Di Cioccio, Patrick Djivas e Franco Mussida, acompanhados por Lucio Fabbri, Gianluca Tagliavini e Roberto Gualdi.

O projeto PFM in Classic será gravado ao vivo no teatro Arcimboldi.

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