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Davos: contestação rouba o espetáculo

Chegar a Davos no sábado 27/01 era quase impossível Keystone

Os adversários da globalização ganharam uma batalha. No terceiro dia do 31° encontro do Forum Econômico de Davos falou-se mais de protestos e tentativas de protestos do que dos assuntos debatidos no Palácio de Congressos transformado em fortaleza militar.

O protesto que devia reunir 5 mil pessoas na bucólica cidade suíça, em plenos Alpes, reuniu apenas 300. Todas muito bem enquadrados por centenas de policiais bem armados para enfrentar eventuais distúrbios. Mas nada de grave aconteceu.

Os manifestantes foram mantidos a 500 m do centro de reuniões, sob ameaça de gás lacrimogêneo, balas de borracha e jatos d’água. A polícia acabou utilizando apenas este último meio, muito dissuasivo, em pleno inverno.

O reduzido número de manifestantes tem explicação. Davos, de acesso difícil pela estrada, ficou parcialmente isolada, no sábado, por ordem das autoridades. A polícia semeou barreiras de controle e a ferrovia não funcionou normalmente.

Centenas de manifestantes que tentaram chegar a Davos por ônibus ou veículos privados foram barrados em Landquart, por onde se sobe à cidade. A polícia utilizou jatos d’água e balas de borracha para dispersar para esfriar qualquer reação violenta.

Os controles nas fronteiras foram também severos. A polícia tinha uma lista de 300 pessoas indesejáveis e filtrou o que pôde. Em Chiasso, sul do país, a polícia não deixou passar manifestantes italianos.

Quanto às expulsões de estrangeiros indesejáveis, já é avançada a cifra de 100 pessoas.

Diante dos acontecimentos fora do Palácio dos Congressos, deu-se pouco destaque ao que aconteceu hoje no Encontro do Forum Econômico, onde se destacaram p. ex., desigualdades na América Latina. Mas tudo ficou em segundo plano.

A atitude tomada por autoridades suíças, proibindo manifestação, criou um clima da mal-estar na Suíça. Se partidos de esquerda cobram do governo, o próprio presidente, Moritz Leuenberger, declarou ontem em Davos, que as pessoas têm direito de manifestar.

Mais uma vez a imagem da Suíça sai arranhada.

J.Gabriel Barbosa

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