Maioria na Suíça vê país como socialmente injusto
Mais da metade dos moradores da Suíça considera as condições sociais do país “um pouco” ou “muito” injustas, segundo uma pesquisa representativa publicada nesta segunda-feira pela revista Beobachter.
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Desde o último Barômetro da Justiça, realizado há dois anos pelo instituto gfs.bern, a insatisfação aumentou. Em 2026, um terço dos entrevistados afirmou que o sistema é “não muito justo”, enquanto 18% disseram que ele “não é justo de forma alguma”.
Segundo a pesquisa, feita com cerca de 2.000 pessoas, a renda é o principal fator na percepção de justiça. A divisão entre classes sociais ficou ainda maior em relação ao levantamento anterior, informou a Beobachter. “Quem tem pouco se sente significativamente mais prejudicado pelo sistema”, afirmou a revista.
Enquanto dois terços das pessoas mais ricas estão satisfeitas com as condições atuais, três quartos dos trabalhadores de baixa renda pensam o contrário. Segundo a Beobachter, a proporção dos que dizem ser tratados de forma “justa” ou “muito justa” caiu de 68% para 56% desde 2024.
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A cientista política Cloé Jans, do gfs.bern, afirmou à revista que a questão central é saber quem se beneficia e quem arca com os custos. Segundo ela, o tema dos gastos está hoje no centro de quase tudo — aluguel, seguro-saúde e aposentadoria.
No plano individual, o orçamento das famílias está sob pressão. No plano político, crescem as disputas sobre projetos que envolvem bilhões. Cada vez menos pessoas acreditam que o esforço individual ainda leve à prosperidade, disse Jans.
Além das preocupações ambientais e de igualdade, 81% dos entrevistados disseram estar preocupados com os altos custos de processos e serviços jurídicos. Também cresce a percepção de que a justiça na Suíça se tornou algo que pode ser comprado.
Apesar das críticas, a revista afirma que a confiança no núcleo do Estado continua resistente à crise. Mesmo em meio a debates acalorados, a Suíça ainda discute seus problemas sobre uma base comum de democracia, liberdade e educação.
Adaptação: Fernando Hirschy
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