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Corredor bi-oceánico Evo Morales confia na experiência ferroviária da Suíça

A Suíça assinou hoje um memorando com a Bolívia para apoiar as empresas suíças interessadas em participar do que o presidente boliviano, Evo Morales, chama de "projeto do século": o Corredor Ferroviário de Integração Bi-oceânica (CFBI), cujo custo é estimado em cerca de 15 bilhões de dólares.

Evo Morales e Doris Leuthard, presidentes da Bolívia e da Suíça. respectivamente.

Doris Leuthard, presidente da Suíça, com seu homólogo boliviano, Evo Morales, nesta quinta-feira em Berna. Os dois países assinaram hoje um memorando de entendimento em que a Suíça oferece assessoria técnica para a construção do corredor bi-oceânico de 3.755 km.

(Keystone/Alessandro della Valle)

"O projeto já está consolidado e será realizado com tecnologia européia", disse Evo Morales durante a segunda visita oficial de um líder boliviano à Suíça (depois de Jaime Paz Zamora em 1993).

Morales e a presidente da Suíça, Doris Leuthard, abordaram hoje o sonho deste país sem litoral e bastante dependente da mineração em servir como a ligação ferroviária entre os oceanos Atlântico e Pacífico, com uma rota de 3.755 km para o transporte de passageiros e mercadorias entre o porto de Santos, no Brasil, e o de Ilo, no Peru.

mapa da América do Sul com o corredor ferroviário
(swissinfo.ch)

Evo Morales ressaltou que a ferrovia bi-oceânica é estratégica para o desenvolvimento de seu país, entre os mais pobres do cone sul-americano. Mas isso não é tudo. Se materializado, o Brasil, que recentemente assinou (5.12.2017) seu memorando de entendimento com a Bolívia para tornar o CFBI uma realidade, obteria uma alternativa por terra ao lento transporte marítimo de mercadorias através do Atlântico, atravessando o Canal do Panamá, ou descendo até o Cabo Horn (extremo sul da Argentina/Chile), em direção à China.

Na verdade, essa iniciativa destruiu um projeto ferroviário chinês de 4.800 km através da Amazônia brasileira e do Peru, sem passar pela Bolívia. Morales defendeu, junto aos países vizinhos, as vantagens de um corredor pelo território boliviano e ganhou o apoio do Peru e do Brasil.

Suíços e alemães a bordo        

Além do apoio na América do Sul, onde o Paraguai e o Uruguai também pretendem se conectar ao CFBI, juntam-se Suíça e Alemanha, que assinou em março sua declaração de intenções com a Bolívia. Mais de 30 empresas especializadas em transporte ferroviário constituem hoje o coletivo suiço-alemão que espera participar da realização do "Canal do Panamá do século XXI".

"Nós estudamos o caso desde o início", diz um desses especialistas em sistemas ferroviários, o suíço Michele Molinari, que participou de encontros com membros do Grupo Operacional Bi-oceânico (GOB) e cuja empresa está localizada em Winterthur - Molinari Rail. Ele já tem um pé na Bolívia.

Juntamente com a empresa espanhola Joca, Molinari constrói o trem elétrico metropolitano de Cochabamba (42 km), no Altiplano, que fica na linha do Corredor Bi-oceânico. "Trabalhamos há muitos anos para conseguir um sucesso desta dimensão, de benefício para todos os fornecedores da Suíça, Espanha, Alemanha e outros países europeus envolvidos. Mostramos a nossa capacidade de fornecer tecnologia ferroviária de alta qualidade com as demandas e os níveis competitivos do mercado global".

A participação da Molinari em Cochabamba facilitou o acesso na Bolívia a empresas suíças, como Lombardi (engenharia), Amberg (inspeção ferroviária), Schwihag (especialista ferroviário), Bär Bahnsicherung (sistema de sinalização), ErvoCom (sistemas de comunicação), e a empresa de construção de vagões e locomotivas Stadler Rail.

No país alpino, desenvolveu-se sistemas ferroviários métricos eficientes para inclinações e curvas íngremes, assim como o sistema de cremalheira mais poderoso do mundo, da Stadler. "Na Suíça, temos uma ótima experiência com trens de montanha para fornecer soluções eficientes às características da geografia boliviana, com descidas e subidas, especialmente na seção que começa perto de Santa Cruz (416 m de altitude) em direção a Cochabamba (no altiplano e a mais de 3.000 m), para descer novamente para o porto marítimo de Ilo, no Peru", explica Molinari.

O engenheiro e empresário suíço sabe que a declaração de intenção assinada hoje entre a Suíça ea Bolívia ajudará nas negociações com bancos e seguradoras para financiar o CFBI.

Hoje, ele se diz muito satisfeito: "Vejo que o Estado suíço está disposto a disponibilizar o grande conhecimento reunido no país para o planejamento e construção de trens, e a transferência de tráfego de mercadorias da estrada para os trilhos, como no projeto Gotthard; e que reconhece o compromisso da Bolívia de fazer o mesmo, promovendo um projeto de integração para o benefício de pessoas de toda a região. não paro de pensar sobre o desenvolvimento que esse sistema de transporte trará à América do Sul, como aconteceu conosco na Suíça: crescemos como sociedade e como país graças aos nossos trens".

Corredor Ferroviário Bi-oceánico de Integração (CFBI)

-Terá uma extensão total de 3.755 km:

1.521 km no Brasil

1.894 km na Bolívia

340,5 km no Perú

- Paraguai e Uruguai aderiram ao CFBI. Existe um plano de estabelecer um ramal ferroviário até o território paraguaio.

- O CFBI é destinado ao transporte de mercadorias e passageiros.

- Custo total: cerca de 15 000 bilhões de dólares

- Duração das obras: aprox. 7 anos

- Primeiro ano de operação previsto: 2025

(Fontes: IIRSALink externo, GOB) 


Adaptação: Eduardo Simantob

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