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Leptospirose, insidiosa doença que pode matar

Marcio Folly quando da conferência em Friburgo. swissinfo.ch

Professor universitário brasileiro traz à Suíça seus conhecimentos e experiências sobre a leptospirose. Essa doença, transmitida principalmente pelo rato, prolifera em períodos de enchentes e constitui perigo mesmo depois que o mal é curado.

Este conteúdo foi publicado em 05. fevereiro 2009 - 09:54

Em 2008, no Brasil houve mais de 250 casos de óbitos confirmados.

Transmitida por roedores, pelo rato em particular, a doença é causada por uma bactéria - a Leptospira spp. - que acomete a maioria dos mamíferos, inclusive o homem. A bactéria penetra no organismo pelas mucosas e pela pele (com ou sem ferimentos). A leptospira multiplica-se no sangue e outros líquidos corpóreos, aninha-se no fígado e, principalmente, nos rins.

Os síntomas iniciais são dores abdominais - ou mesmo no corpo inteiro - e febre alta. Sintomas que podem desaparecer, mas o animal sempre será portador da doença. Em consequência, quando elimina a bactéria pela urina, ele contamina o meio ambiente.

Todas essas explicações nos foram fornecidas pelo especialista em microbiologia, Márcio Folly, professor na Universidade Estadual Fluminense (UENF) Campos, no estado do Rio de Janeiro.

Folly acaba de dar uma longa palestra sobre sobre o assunto voltada para médicos veterinários e técnicos de nível médio e superior da Escola Profissional de Laboratórios do Cantão de Friburgo.

Consciente de que em se tratando de leptospirose os veterinários brasileiros sabem muito mais sobre o assunto que os europeus, o mestre veio mostrar os resultados de pesquisas realizadas na UENF na área de sanidade animal. No encontro com colegas europeus, ele falou da importância do diagnóstico tanto na medicina humana quanto na veterinária, destacando a necessidade de reação rápida no tratamento e na prevenção.

Importância do diagnóstico laboratorial

Márcio Folly lembra que a leptospirose é uma doença de caráter sazonal. Ela acontece no período de chuvas, pois a bactéria necessita da água para sobreviver. Se nos tempos de enchentes a leptospirose é um risco para os seres humanos, ela ameaça particularmente os animais de criação: cães, bovinos e caprinos.

O problema, enfatiza mais uma vez, é que mesmo depois de curados ou quando não desenvolvem os sintomas, os animais podem se transformar em potenciais disseminadores da bactéria no ambiente.

Considera grave o fato de a doença poder ser confundida com a dengue, pois os sintomas de ambas são muito parecidos. Foi assim que, graças à própria experiência no ramo, salvou pelo menos uma vida, insistindo com um médico para que mudasse o diagnóstico de um paciente atingido pela leptospirose.

A agilidade no diagnóstico laboratorial é importante para o tratamento dessa doença que se não for cuidada a tempo "pode evoluir para uma sintomologia aguda e matar".

Outra alerta do especialista: "Em vacas e cabras, uma sintomatologia característica da leptospirose é o abortamento no terço final da gestação. O perigo nesse caso é de a leptospirose ser confundida com outra enfermidade comum a estas espécies: a brucelose", que também causa abortamento no mesmo período.

Sintomas

Se o homem deve ficar atento para evitar contato com as águas de cheias, "os animais herbívoros podem contrair a leptospirose pela ingestão de gramíneas contaminadas pela bactéria, que penetra no corpo pela mucosa oral".


A contaminação do meio ambiente se produz pela urina de animais contaminados. Nos ambientes urbanos, os ratos, como já foi apontado, são os principais disseminadores da leptospira, que tem a capacidade de penetrar ativamente até na pele íntegra (sem ferimentos) ou nas mucosas.


Em sua fase aguda, a doença pode causar nos animais sintomas como icterícia (que resulta em olho amarelado), hematúria (presença de sangue na urina), fraqueza e febre alta. Assim como em humanos, se não for tratada, a leptospirose pode ser fatal, alerta mais uma vez o professor da Universidade Estadual de Norte Fluminense.

Controle de roedores é importante

Uma alternativa contra a doença é a vacinação dos animais de criação, mas a iniciativa deve levar em conta todos sorovares (tipos da bactéria) prevalentes na região atingida.

Naturalmente, uma medida importante para evitar a leptospirose é a desratização (acabar com os ratos). Mas o controle desses roedores esbarra em problemas típicos dos centros urbanos, como acúmulo de lixo em terrenos baldios, nas beiras de estradas e de rios, pobreza e más condições de habitação. Para mudar este quadro, a ação das autoridades sanitárias não basta: é preciso que a população também passe por um processo educativo, conclui o especialista.

swissinfo J.Gabriel Barbosa

SAIBA MAIS

No BRASIL, houve 272 casos de óbitos confirmados em 2008 em consequência da leptospirose. Não se vacinam as pessoas no país, mas os cães, bovinos e suínos são vacinados para evitar que adoeçam e transmitam a enfermidade aos humanos.

Na SUÍCA registraram-se, em 2008, apenas 5 casos de leptospirose em animais : 3 bovinos e 2 suínos. Como no país alpino o saneamento básico é de alto padrão e os controles rigorosos, é rara a disseminação da doença.

Em Genebra, porém, neste mês de janeiro de 2009 houve um caso grave de leptospirose : um pescador foi acometido da forma aguda dessa enfermidade. O que, porém, não surpreende, a julgar pelo número de ratos no pequeno cantão de Genebra : 500 mil na estimativa da mídia.

Resta que a cura desse pescador foi quase um milagre, na opinião do professor Márcio Folly.

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