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Lula diz que país não ‘estava preparado’ para desastre no Sul, que enfrenta novas cheias

Novas cheias de rios e lagos prolongaram o drama no Sul do país, aonde o presidente Luiz Inácio Lula da Silva viajará na próxima quarta-feira (15), após reconhecer que as autoridades não estavam preparadas para uma catástrofe dessa dimensão.

O número de vítimas da catástrofe climática que atinge o Rio Grande do Sul voltou a aumentar na segunda-feira (13), com 147 mortos, 127 desaparecidos e 806 feridos. Seiscentas mil pessoas tiveram que deixar suas casas, segundo a Defesa Civil.

Lula suspendeu uma viagem oficial ao Chile prevista para os próximos dias 17 e 18, diante da necessidade de acompanhar a situação, informou a Presidência. E anunciou que voltará ao Rio Grande do Sul na quarta-feira pela terceira vez em poucos dias.

“É uma catástrofe. A gente não estava preparado para uma coisa dessa magnitude”, disse o presidente durante reunião com o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, e com o governador de tal estado, Eduardo Leite.

Apesar da redução das chuvas, Eduardo Leite pediu que os moradores não voltem para casa, principalmente em Porto Alegre e seus arredores, onde o nível do rio Guaíba pode atingir um novo recorde.

“Não é hora de voltar para casa ainda nas áreas de risco”, declarou.

O nível do rio, em cujas margens se situam em cidades devastadas, superou 5 metros pela primeira vez desde a última quinta-feira e segue aumentando, devido às chuvas do fim de semana. Segundo a Defesa Civil, ele pode ultrapassar o pico histórico de 5,35 metros atingido no último dia 5.

– Ajuda para recomeçar –

Diante da cheia do Guaíba, a Prefeitura de Porto Alegre ergueu uma barreira com sacos de areia em uma avenida do centro, para evitar que a enchente atinja uma estação de bombeamento de água, o que poderia piorar o serviço, já precário, em cerca de 30 bairros da cidade.

Moradores do bairro Harmonia, em Canoas, retiravam pertences de seus lares devido à cheia. “A água nunca baixou. Peguei aquela enchente de outubro e esta de agora. Perdi tudo desta vez”, contou o pedreiro Alcedir Alves, 58. 

Mais de 77 mil pessoas estão em abrigos montados em escolas, clubes e outros estabelecimentos devido ao desastre, que especialistas e o governo vinculam à mudança climática e ao fenômento El Niño. 

A situação vai se complicar com a chegada de uma frente fria, alertou na segunda-feira a agência meteorológica MetSul.

Autoridades trabalham para distribuir suprimentos e doações enviados de todo o país e do exterior. As famílias mais afetadas vão receber 2 mil reais para começar a reconstruir suas vidas, anunciou Eduardo Leite.

– Indígenas afetados –

Lula anunciou uma proposta, que tem que ser aprovada no Congresso, para suspender por 36 meses o pagamento da dívida do Rio Grande do Sul com a União, que, segundo Leite, tornou-se “um torniquete insuportável” diante da tragédia.

A vida no estado mudou abruptamente, com quase 360.000 estudantes sem aulas e o atendimento médico sendo realizado em hospitais de campanha. 

Rodovias e estradas importantes continuam total ou parcialmente bloqueadas, enquanto o aeroporto internacional da cidade de Porto Alegre segue debaixo d’água.

As chuvas e inundações sem precedentes afetaram diretamente pelo menos 80 comunidades indígenas, algumas de forma extremamente grave, segundo o Conselho Indigenista Missionário. 

– Efeitos na Argentina –

O fluxo da água no Sul teve impacto em outros países da Bacia do Rio da Prata.

Cerca de 600 pessoas foram evacuadas na província argentina de Entre Ríos (nordeste) devido a inundações causadas pela cheia do rio Uruguai, segundo autoridades.

Moradores da zona ribeirinha de Concordia (430 km a nordeste de Buenos Aires) foram levados para centros de assistência ou domicílios particulares. O prefeito Francisco Azcué informou que o pico da cheia é esperado para esta terça-feira e pediu calma à população.

“Estamos nos 13,55 metros (da cota) e segundo a previsão dos engenheiros da barragem, poderá atingir os 13,70 metros hoje (segunda-feira) e as 13,90 amanhã, terça-feira. Obviamente teremos mais evacuados”, afirmou Azcué à rádio Mitre.

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