Mulheres ainda têm de brigar para chegar ao topo na Suíça

O número de mulheres promovidas ao topo das empresas e organizações na Suíça ainda é muitíssimo baixo proporcionalmente. Keystone/patrick Huerlimann

As mulheres representam cerca da metade dos empregados em níveis não gerenciais nas principais empresas da Suíça, mas as taxas de promoção entre homens e mulheres continuam longe de ser iguais.

Este conteúdo foi publicado em 10. setembro 2020 - 17:09
UNISG/Advance/jdp

Isso de acordo com a quarta edição anual do Relatório de Inteligência de Gênero (Gender Intelligence Report) publicado pela Universidade de St Gallen e pela associação de empresas Advance na quinta-feira. Apesar das melhorias nas taxas de promoção para as mulheres, os autores argumentam que "há um longo caminho a percorrer, com as promoções continuando a ser a maior alavanca para alcançar a igualdade de gênero".

O relatório analisou dados de 302.000 funcionários em 75 organizações na Suíça. Enquanto quase metade dos funcionários em funções não gerenciais são mulheres (49%), isto cai para 29% em cargos gerenciais.

Na alta administração, a representação feminina cai ainda mais, para 18%. Para corrigir isso, os autores recomendam que as empresas considerem metas de promoção de gênero. Por exemplo, se as mulheres representam 33% de uma faixa gerencial, então um terço das promoções para o próximo nível hierárquico deve ser de mulheres.

Isto melhoraria a lista de candidatas femininas a cargos de alta direção.

O relatório também destaca uma "armadilha da idade" - os anos entre 31 e 40 quando muitas mulheres iniciam famílias. É nesta "hora do rush da vida" que há uma queda marcante na proporção de mulheres no trabalho em comparação com os homens.

"Isto está muito provavelmente ligado ao cuidado da família que ainda é amplamente assumido pelas mulheres na Suíça", afirma o relatório. "Enquanto o tempo integral for a norma no nível gerencial e o trabalho familiar for distribuído desigualmente, esta desvantagem estrutural representa um dos maiores obstáculos para as carreiras das mulheres".

A greve das mulheres em todo o país no ano passado exigiu mudanças, incluindo a redução da desigualdade salarial e dos custos das creches.

O relatório reconheceu o progresso em algumas áreas. Cerca de 67% das organizações oferecem licença paternidade além da prática comum de um ou dois dias e mais de dois terços têm um programa de tutoria ou outro programa de apoio à carreira para as mulheres. Em outubro, um número recorde de mulheres foi eleito para o parlamento na Suíça. 

Líderes e retardatários

O relatório deste ano introduziu a Bússola de Maturidade de Gênero que avaliou a posição das empresas no alcance da igualdade de gênero em quatro estágios. Cerca de 20% ainda estão na primeira etapa, que refere-se a um compromisso com a presença de mulheres na liderança.

Na outra ponta, apenas 5% alcançaram o estágio mais alto de maturidade para avançar totalmente na diversidade de gênero. Estas empresas têm uma proporção de gênero semelhante em todos os níveis hierárquicos.

"Em comparação internacional, a Suíça ainda é como uma criança pequena. Está ficando para trás", disse Gudrun Sander, uma dos autores do relatório e professora da Universidade de St Gallen, durante a apresentação on-line do relatório na quinta-feira.

Um desenvolvimento importante na Suíça, observa os autores, é o mandato legal de organizações com mais de 100 funcionários para realizar uma análise de igualdade salarial a cada quatro anos a partir de julho de 2020.

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