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Ondas electromagnéticas contra minas terrestres



Soldados colombianos mutilados por minas antipessoais.

Soldados colombianos mutilados por minas antipessoais.

(Keystone)

Um grupo de cientistas colombianos e suíços desenvolveu um método para detonar explosivos à distância (IED, na sigla em inglês) através de ondas eletromagnéticas.

Os IED ou “bombas móveis” causam milhares de mortes e mutilações em países como Colômbia, Afeganistão e Iraque.









































“A Colômbia tem uma das mais altas taxas de vítimas de minas antipessoais do mundo”, diz Nicolás Mora, pesquisador colombiano e estudante de pós-graduação na Escola Politécnica Federal de Lausanne (EPFL), oeste da Suíça, à swissinfo.ch.

“Os IED são instalados por guerrilheiros para barrar o avanço do exército. São colocados em trilhas no mato, porém são lugares habitados onde tem gente que passa para ir à escola ou ao hospital.”

Entre 2005 e 2010 na Colômbia, as bombas móveis provocaram aproximadamente mil mortes por ano, um terço das quais de civis. O problema das minas é antigo (Ouça na coluna à direita reportagem da Rádio Suíça Internacional (agosto de 1995).

Dois anos atrás, Nicolás Mora começou a trabalhar sobre um novo mecanismo na EFPL, primeiro com estudos teóricos de eletromagnetismo e simulações em computador, juntamente com Felix Veja, a Universidade Nacional da Colômbia, em Bogotá.

As minas antipessoais são fabricadas principalmente de plástico, para evitar os detectores convencionais de metal. A maior parte utiliza corrente elétrica ou dois fios para detonação.

Uma das principais dificuldades que os pesquisadores encontraram foi como induzir uma corrente eletromagnética suficientemente forte para explodir um detonador de uma mina que pode estar a uma certa profundidade.

Também tiveram que calcular as frequências de ressonância compatíveis com os muitos tipos de minas fabricadas.

“Não existem duas minas iguais”, explica Farhad Rachidi, chefe do Laboratório de Compatibilidade Eletromagnética da EPFL. “As formas, as capas dos detonadores e os fios usados são todos diferentes e os sistemas de resposta a uma onda eletromagnética depende desses parâmetros.”

Testes deram certo

Mas a equipe descobriu que, apesar da ampla gama de bombas improvisadas, todas tinham gamas similares de frequência, explica Mora.

“Então desenvolvemos um sistema que concentra nisso e assim perdem menos energia”, acrescenta.

Testaram o sistema na Colômbia em novembro do ano passado e em janeiro de 2011 e deu certo.  Usaram minas improvisadas fornecidas por técnicos em desativação de bombas profissionais. O dispositivo foi instalado com controle remoto a uma distância média de 20 metros.

“Agora temos que desenvolver um protótipo menor, a prova d’água e mais fácil de transportar no terreno”, explica Vega.

O instrumento atual compreende um pesado gerador e uma antena de 1,5 metro.  

 

Muito interesse

 

Mesmo se o novo dispositivo não foi pensado realmente para as minas terrestres convencionais, Rachidi está entusiasmado com os resultados obtidos.
 
“Esta é a primeira vez que usamos ondas eletromagnéticas em um projeto humanitário. Estudávamos apenas os efeitos biológicos dos campos magnéticos em seres humanos”, acrescenta.
 
“Temos recebido muitas mensagens e chamadas nos últimos dias de pessoas de meios distintos, incluindo militares. Recebemos uma mensagem da Marinha dos Estados Unidos, dizendo que está muito interessada no que fazemos.”

Atle Carlson, especialista em desminagem da "Norwegian Peoples’ Aid", elogiou nosso projeto, conta Rachidi.

“Os IED são um problema na Colômbia”, acrescenta. “Desativar minas é um trabalho perigoso, então estamos muito interessados em qualquer tecnologia que possa facilitar essa tarefa.”

Minas terrestres

A população civil é a principal vítima das minas até anos e décadas depois do fim dos conflitos. No Afeganistão, os mais atingidos são jovens de menos de 18 anos.

Os programas antiminas e o tratado de proibição de minas antipessoais chamado Covenção de Ottawa, levaram à redução do número anual de vítimas de aproximadamente 26 mil para cerca de 6 mil, em uma década.

Agir contra as minas é parte da política suíça de paz e segurança humanitária, com projetos de desativação de minas em mais de 20 países. A Suíça destruiu suas últimas minas em 1999.

O orçamentoanual da Suíça para os programas antiminas de2008 a 2011 oscila entre 16 e 18 milhões de francos.

O Centro Internacional de Desminagem Humanitária, com sede em Genebra, é uma das principais instituições associadas, além de agências especializadas das Nações Unidas e do Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV), também em Genebra.

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Adaptação: Claudinê Gonçalves, swissinfo.ch


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