Por que os expatriados suíços votam de maneira diferente quando vão para o exterior

Os laços entre a Suíça e a União Europeia são a principal preocupação de quase metade dos cidadãos suíços expatriados, enquanto essas mesmas relações bilaterais são consideradas apenas uma prioridade para um em cada quatro eleitores no país.

Este conteúdo foi publicado em 09. outubro 2018 - 17:00
swissinfo.ch
Mais de 60% dos suíços expatriados registrados residem em países europeus, principalmente nas vizinhas França, Alemanha e Itália Keystone/Martin Ruetschi

As conclusões do instituto de pesquisa Sotomo mostram grandes diferenças nas preferências políticas entre a comunidade suíça do exterior e os entrevistados residentes na Suíça, mas confirmam pesquisas anteriores sobre o assunto.

As conclusões da pesquisa online, publicada na semana passada, foram as primeiras à frente das eleições parlamentares do próximo ano.

Uma lista das seis principais preocupações do expatriado suíço quase inverte a ordem do barômetro geral. Para detalhes, veja o gráfico abaixo:

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Enquanto 47% dos expatriados na pesquisa consideram as relações da Suíça com a UE uma prioridade, apenas 28% dos entrevistados em geral compartilham essa visão. A porcentagem é ligeiramente superior na parte de língua francesa (30%), mas abaixo da média nas principais regiões de língua alemã e italiana.

No topo da lista na Suíça, bem como nas diferentes regiões linguísticas, estão as preocupações com o aumento dos custos das mensalidades do seguro de saúde, com 42%. Este tema preocupa apenas 26% dos suíços do exterior que participaram da pesquisa.

Impacto direto

Há boas razões para a discrepância, como Michael Hermann, da Sotomo, explica.

"A maioria dos suíços expatriados vive em países membros da UE e as relações com o bloco de 28 países têm um impacto direto em suas vidas", diz. Quanto à prioridade relativamente baixa dada ao seguro de saúde, Hermann ressalta que muitos suíços no exterior provavelmente não são cobertos pelo sistema de saúde suíço.

O sistema previdenciário são outros quinhentos, tendo em conta que a comunidade suíça de expatriados é composta por um bom número de aposentados que vivem em países do sul da Europa ou na Ásia e que ainda mantêm laços estreitos com o seu país de origem.

De fato, dos 752 mil cidadãos suíços que viviam no exterior no final do ano passado, 62% estavam em um país europeu e cerca de 21% tinham mais de 65 anos.

Pouco mais de 172.000 suíços do exterior (23%) se inscreveram para participar de votações e eleições.

Questão global

A mudança climática e o problema das emissões de CO2 é a segunda preocupação mais importante no momento para os expatriados suíços, com 35%, enquanto uma média de 30% dos residentes suíços entrevistados - 38% na parte francófona - a colocam no topo da lista.

"É um tópico que não conhece fronteiras", diz Hermann.

Além disso, dá uma indicação sobre o perfil político típico da comunidade suíça no exterior.

Os suíços do exterior tendem a votar mais à esquerda - verdes e socialistas, com 13% e 24% respectivamente - do que a média nacional, enquanto o maior partido político da Suíça, o Partido Popular da Suíça (SVP na sigla em alemão) ficou em segundo com 21% comparado com os 27% da média nacional.

A diferença está dentro da margem de erro (+/- 1,5%) para todos os outros partidos políticos.

"O típico expatriado suíço é mais aberto e não tem o mesmo perfil político conservador", diz Hermann.

Até certo ponto, a descoberta parece espelhar a constituição da comunidade expatriada suíça politicamente interessada: uma geração mais jovem e móvel que poderia ter deixado o país temporariamente.

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