Reis da Espanha visitam local do acidente ferroviário na Andaluzia
Coincidindo com o primeiro dos três dias de luto nacional decretados pelo governo, os reis da Espanha visitaram nesta terça-feira (20) a região da Andaluzia onde dois trens colidiram no domingo, deixando ao menos 42 mortos.
Vestidos de luto, Felipe VI e Letizia foram à localidade de Adamuz, epicentro do acidente, na província andaluza de Córdoba.
Ali, aproximaram-se do local onde ainda se encontram os destroços dos dois trens e onde continuam as buscas por mais corpos.
Em seguida, visitaram um hospital de Córdoba para conversar com feridos e com seus familiares, “com a vontade de transmitir-lhes o carinho de todo o país, porque foi um impacto muito forte (…), foi um golpe”, disse o monarca à imprensa.
No fim da tarde, as equipes de resgate localizaram um novo corpo em um dos vagões do trem acidentado da Renfe, elevando, por ora, o balanço para 42 mortos, segundo informaram as autoridades regionais.
“Nos diferentes hospitais andaluzes continuam internadas 37 pessoas”, entre elas quatro crianças, acrescentaram.
O ministro dos Transportes, Óscar Puente, aventou nesta terça-feira que o número definitivo de mortos pode acabar se aproximando das denúncias de desaparecidos, 43.
“O que é preciso fazer é cruzar os desaparecidos ou as denúncias de desaparecimento com os mortos e ontem, ao menos no fim do dia, o número era mais ou menos coincidente”, explicou à rádio Onda Cero.
– Máquinas pesadas para o resgate –
As equipes de resgate tentam, em particular, erguer os vagões de um dos trens, que caíram em um aterro com uma altura de 4 metros.
Para isso, usam vários guindastes.
No domingo, às 19h45, horário local (15h45 no horário de Brasília), os dois trens de alta velocidade que trafegavam em trilhos paralelos colidiram, com aproximadamente 500 passageiros a bordo no total.
Os últimos vagões de um trem operado pela empresa privada Iryo, subsidiária em 51% do grupo estatal italiano Ferrovie dello Stato (Trenitalia), descarrilaram enquanto viajavam de Málaga para Madri.
Dois vagões acabaram nos trilhos adjacentes justamente quando um trem da empresa estatal espanhola Renfe, que viajava na direção oposta, de Madri para Huelva, no sudoeste, estava prestes a passar e colidiu com eles.
– Foco: a falta de um pedaço de trilho –
Após descartar inicialmente o excesso de velocidade dos dois trens, que colidiram em um trecho reto da linha férrea, e um erro humano, as explicações agora se concentram nos trilhos e nos próprios trens.
Em particular, uma foto tirada pela Guarda Civil, que mostra agentes inspecionando um trilho com um pedaço faltante, alimentou grande parte das especulações.
O ministro Puente afirmou ser muito cedo para saber se o pedaço faltante foi “causa ou consequência” do acidente.
“Há muitas rupturas nos trilhos quando um trem descarrila (…) e há uma ruptura inicial”, disse Puente à Onda Cero.
“A questão é determinar” se “essa ruptura é causa ou consequência, e isso não é algo menor”, concluiu o ministro, que insistiu em classificar o sinistro como “estranho”.
Por sua vez, o ministro do Interior, Fernando Grande-Marlaska, rejeitou categoricamente a hipótese de sabotagem.
“Nunca foi considerada a possibilidade de sabotagem, mas, em todo momento e em todas as circunstâncias, questões técnicas e relativas ao que é o transporte ferroviário”, explicou na coletiva de imprensa após o Conselho de Ministros.
Enquanto as causas são investigadas, o gestor espanhol da rede ferroviária, Adif, estabeleceu nesta terça-feira uma “limitação temporária de velocidade” de 160 km/h em alguns trechos da linha de alta velocidade entre Madri e Barcelona, por “segurança”, já que “maquinistas relataram irregularidades”, segundo indicou o serviço de comunicação da empresa.
O serviço de manutenção realizará inspeções durante a noite e, se tudo estiver normal, a limitação deverá ser retirada posteriormente, acrescentou.
– “Tudo se quebrou” –
Emil Johnsson, um cidadão sueco residente na Espanha, contou, emocionado, à imprensa a experiência do acidente, após receber alta de um hospital de Córdoba.
“Uma mulher estava inconsciente do meu lado, e eu e outro homem tentamos ajudá-la. Tinha o rosto coberto de sangue”, contou Johnsson. Ele disse ter ligado para sua mãe do trem.
“Tudo se rompeu em 2-3 segundos”, afirmou.
Santiago Salvador, cidadão português ferido no acidente, explicou em um vídeo no Instagram que a cena do acidente foi um “inferno”.
“Saí com minhas próprias pernas”, explicou, com o rosto coberto de arranhões e a perna quebrada. “É um milagre eu estar vivo”, concluiu.
Em julho de 2013, a Espanha sofreu uma grave tragédia ferroviária quando um trem descarrilou pouco antes de chegar à cidade galega de Santiago de Compostela, deixando 80 mortos.
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