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Vacinação é cada vez mais vista como solução para a pandemia

Esta sexta sondagem sobre a pandemia mostra que três quartos dos suíços apoiam a obrigação do home office. Keystone / Gaetan Bally

A pandemia do coronavírus está começando a ter seu impacto sobre o moral dos suíços, que agora temem o isolamento e a perda de liberdade. Entretanto, uma nova pesquisa da Sotomo realizada em nome da Sociedade Suíça de Radiodifusão e Televisão (SRG SSR) mostra que a vacina está se tornando cada vez mais a luz no final do túnel.

Este conteúdo foi publicado em 20. janeiro 2021 - 15:30

Essa sexta pesquisa sobre a pandemia foi realizada entre os dias 8 e 11 de janeiro. É importante ressaltar isto desde o início, pois este é uma espécie de período crucial, que pode ter influenciado as respostas dos participantes. Nesse momento, o governo já havia tomado medidas em nível nacional, mas sugeriu que novas restrições viriam, o que finalmente aconteceu em 13 de janeiro.

No front da saúde, este também foi um momento crucial. Na Suíça, como em qualquer outro lugar, o início das campanhas de vacinação dá origem a grandes esperanças, mas ao mesmo tempo o surgimento de novas variantes é assustador.

Moral baixo

Esta nova pesquisa mostra que a situação está realmente começando a pesar no moral da população. Os dois medos mais citados são a limitação da liberdade (entre 61% dos entrevistados) e a solidão e o isolamento social (51%). Nunca antes essas preocupações haviam sido mencionadas com tanta frequência.

Por outro lado, os medos sobre perigos muito mais concretos tendem a estagnar ou a diminuir. Por exemplo, o medo de perder o emprego caiu de 21% em outubro passado para 19% hoje. Quanto ao risco de ser infectado, apenas 40% dos pesquisados estão agora com medo de serem infectados, comparado com 45% em outubro, uma diminuição que os pesquisadores explicam pelo aparecimento das vacinas.

Mas há nuances; os medos não são os mesmos nos diferentes estratos da população. Por exemplo, os menores de 65 anos estão principalmente preocupados com os efeitos que a pandemia pode ter sobre seus empregos ou finanças, enquanto os maiores de 65 anos têm mais medo de uma infecção e suas consequências.

Essas são as preocupações pessoais. Quando são mencionados os medos pela sociedade como um todo, os medos relacionados à situação econômica geral são os mais comumente citados (30%).

Apostando na vacina

A pesquisa mostra que o início das campanhas de vacinação é um motivo de esperança. Mais da metade dos entrevistados (58%) acredita que o perigo vai desaparecer graças a uma vacina eficaz. Este entusiasmo, no entanto, deve ser moderado, pois muitos entrevistados acreditam que o vírus não irá desaparecer, mas que teremos que aprender a viver com ele.

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Em todo caso, a intenção de se vacinar está progredindo radicalmente. Agora, 41% dos entrevistados dizem estar dispostos a fazer isso imediatamente, em comparação com apenas 16% em outubro. A proporção daqueles que não estão absolutamente dispostos a serem vacinados está diminuindo de 28% em outubro para 24% atualmente.

Mas entre as pessoas que estão dispostas a serem vacinadas imediatamente e as que recusam, ainda resta um terço das pessoas pesquisadas (35%) que preferem esperar. A razão mais frequentemente citada é a cautela: 60% querem ter certeza de que a vacina não terá efeitos colaterais significativos.

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Home office no centro das atenções

Até que as vacinas tenham alcançado seu pleno efeito, devem ser aplicadas medidas de proteção. Entretanto, nem todas essas medidas são aceitas da mesma forma.

Algumas das medidas recentemente decretadas pelo governo são unanimemente aceitas. Por exemplo, a obrigação de trabalhar de casa é amplamente apoiada, com 74% a favor. A proibição de reuinião de mais de cinco pessoas no espaço público também é amplamente apoiada (64%). O uso de máscaras, que ainda era desprezado há alguns meses, tornou-se uma evidência: 82% dos entrevistados são a favor do uso de máscaras em eventos públicos, 81% em lojas, 71% em escritórios e 67% ao ar livre quando as distâncias sociais não podem ser respeitadas.

No entanto, outras medidas são difíceis de convencer. Por exemplo, mais da metade dos entrevistados (56%) se opõe ao fechamento de lojas não essenciais. E a ideia de restringir o movimento em áreas altamente infectadas foi rejeitada por 63% dos pesquisados.

Entre as decisões que têm causado controvérsia na Suíça e no exterior está a abertura das pistas de esqui. A pesquisa mostra que os suíços não vêem um grande problema: 46% são a favor da abertura das pistas de esqui em toda a Suíça com medidas de proteção adequadas, 18% são a favor do fechamento das pistas somente nos cantões onde a situação sanitária o exija, e 37% são a favor do fechamento total das pistas.

Aumento da desconfiança em relação ao Conselho Federal

A confiança no governo, que era alta no início da pandemia, continua a diminuir. A proporção dos entrevistados que consideram ter uma grande ou muito grande confiança no trabalho do Conselho Federal voltou a cair de 38% em outubro para 32% hoje. Lembrando que em março esta proporção ainda era de 61%.

Quando se pergunta se a Suíça está se saindo bem em comparação com seus vizinhos, 28% acham que ela está indo melhor e 34% pior.

Detalhes da pesquisa

A pesquisa foi realizada pelo Instituto Sotomo em nome da Sociedade Suíça de Radiodifusão e Televisão (SRG SSR), da qual SWI swissinfo.ch é membro.

Esta é a sexta pesquisa realizada desde março passado.

A pesquisa foi realizada pela Internet com 43.797 pessoas em todas as regiões linguísticas do país entre 8 e 11 de janeiro.

Como este não é um painel representativo - os participantes não são selecionados, mas respondem de forma voluntária - um procedimento de ponderação foi realizado pelo instituto de pesquisa. A margem de erro é de +/- 1,1%.

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Adaptação: Fernando Hirschy

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