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Conferência visa melhor adaptação às alterações climáticas

Aquecimento global pode acelerar acidentes como a queda de rochas das montanhas. Keystone

Cerca de 1.500 especialistas, membros de governos e empresários encontram-se em Genebra para discutir como melhorar a coleta e a partilha de informações sobre o clima.

A Suíça, um país com longa tradição de pesquisa e adaptação às mudanças climáticas, apóia a criação de um sistema global para dar acesso mais rápido a informações e previsões do tempo.

A 3ª Conferência Mundial do Clima, organizada pela Organização Mundial Meteorológica (OMM) juntamente com a Suíça, ocorre de segunda a sexta-feira (31/08 a 4/09).

O encontro em Genebra tem por objetivo decidir medidas que “vão além” das propostas na Conferência Mundial do Clima da ONU em dezembro, em Copenhague, declarou Michel Jarraud, diretor-geral da OMM aos jornalistas na semana passada.

Na capital dinamarquesa, os governos tentarão entrar em acordo para reduzir as emissões de dióxido de carbono. Já em Genebra, seu principal objetivo é limitar os riscos econômicos e humanos ligados às mudanças climáticas, explicou Jarraud.

“Continuo tendo a esperança de que um acordo substancial poderá ser alcançado em Copenhague apesar da extrema dificuldade das negociações. Mas mesmo se não conseguirmos limitar o aquecimento global em dois graus centígrados neste século, teremos de qualquer maneira de tomar medidas de adaptação.”

Conhecimento tradicional

Pesquisas sobre as mudanças climáticas têm sido desenvolvidaa a passos largos nos anos recentes, mas ainda existem muitos pontos fracos e desconhecidos. Um bilhão de dólares por ano ainda é necessário para completar as redes locais de monitoração climática como no continente africano, explicou o chefe da OMM.

Enquanto políticos pensam em uma escala de cinco a dez anos, muitos pesquisadores do clima fazem previsões em uma grandeza de 50 a 100 anos para o futuro.

“Temos de reconciliar esses dois horizontes”, disse. “Mesmo se os problemas do aquecimento global são melhor compreendidos, as observações não estão sendo utilizadas da melhor maneira possível”, acrescentou.

“O passado já não é um bom indicador do futuro”, disse Jarraud, ao descrever a previsão de tempo e seus modelos como instrumentos chaves para a pesca, atividades florestais, transporte e turismo, assim como nos esforços para combater doenças como a malária.

Os conhecimentos transmitidos através de gerações no setor agrícola – por exemplo, como preparar e gerir diferentes culturas – estariam se tornando menos relevantes devido às mudanças dos níveis de calor, umidade e acesso à água ao redor do mundo.

Conseqüências para a Suíça

“A Suíça, assim como vários países industrializados densamente povoados, é vulnerável às consequências das mudanças climáticas”, afirmou Andreas Götz, vice-diretor do Ministério do Meio Ambiente, aos jornalistas na quinta-feira (20/08).

“Basta pensar no derretimento das geleiras e na formação de lagos glaciais, que podem resultar em inundações devastadoras”, afirmou.

E o mesmo vale para as florestas. Com um aumento médio de três graus centígrados de temperatura, a paisagem suíça sofrerá mudanças dramáticas, com carvalhos dominando outras espécies de árvores.

“Isso é extremamente importante, pois 50% das florestas suíças têm uma função protetora contra a queda de rochas”, explicou.

No futuro, a Suíça terá de lidar com mais inundações, chuvas intensas e deslizamentos de terra, processo de derretimento reduzindo a estabilidade das montanhas e verões secos influenciando florestas, agricultura e a navegabilidade dos rios e lagos.

Como resultado, monitorar as mudanças climáticas é extremamente importante e instrumentos adicionais como sistemas de controle de queda de rochas, assim como zonas de risco de inundação, são necessários, afirmou Götz.

País não é um ilha

Mas a Suíça não é uma ilha e nesse ponto ela apóia esforços em níveis nacionais e internacionais para se adaptar às mudanças climáticas.

“Essa não é apenas uma conferência para cientistas e meteorologistas”, analisa José Romero, técnico científico no Ministério suíço do Meio Ambiente.

O encontro em Genebra se destina a estabelecer melhor colaboração entre aqueles que possuem informações vitais sobre o clima, os usuário e políticos em setores como silvicultura, energia, saúde, gestão de risco, produção de alimentos e água em todo o mundo.

Em médio prazo, a Suíça gostaria de ver a criação de uma rede mundial, o chamado Quando Global para Serviços do Clima, que teria a função de atender as necessidades dos políticos no mundo de obter rapidamente informações precisas e acuradas sobre o clima e previsão do tempo.

“A realização da conferência em Genebra, apenas três meses antes da de Copenhague, não é uma coincidência”, ressalta Romero.

Adaptações às mudanças climáticas tiveram um papel fundamental nas discussões sobre o clima em Bali (Indonésia) em 2007. O encontro em Genebra visa fornecer importantes instrumentos técnicos para as negociações em Copenhagen, acrescenta.

Simon Bradley, swissinfo.ch e agências

O governo suíço anunciou na semana passada planos para reduzir as emissões de dióxido de carbono em 20% até 2020, como prevsito nas diretrizes da União Europeia.

Uma das propostas é estender para além de 2012 taxas de CO2 sobre o óleo para calefação. Além disso, o governo se reserva o direito de taxar o consumo de gasolina e diesel.

Pelo menos 25% das emissões provocadas pela queima de combustível fóssil têm de ser compensadas na Suíça ou no exterior. Metas vinculativas de emissões são previstas para veículos novos.

Mas o governo quer suprimir o chamado centavo climático – uma contribuição voluntária feita pela indústria nas emissões de gases de efeito estufa.

A 3ª Conferência Mundial do Clima terá participação do presidente suíço, Hans-Rudolf Merz, que fará sua abertura em 31 de agosto. Além disso, participam o ministro suíço do Meio Ambiente, Moritz Leuenberger, o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, 80 ministros e 20 chefes de Estado, originários em grande parte dos países em desenvolvimento.

O Protocolo de Kyoto é um acordo assinado por 178 países, anexo de 1997 ao Tratado do Clima da ONU de 1992, no qual 37 nações industrializadas comprometem-se a reduzir as emissões de gás de efeito estufa, em média, 5% inferior aos níveis de 1990 até 2010.

O Parlamento helvético ratificou o Protocolo de Kyoto em 2003. A Suíça espera reduzir suas emissões de CO2 em 10% dos níveis de 1990 até 2010.

Apesar do objetivo ambicioso, as emissões de gases que provocam o efeito estufa aumentaram 0,4% na Suíça desde 1990.

Uma lei relacionada ao CO2 foi sancionada em 2000 para garantir que os objetivos de Kyoto sejam alcançados. Aproximadamente mil empresas decidiram participar voluntariamente de medidas para reduzir suas emissões.

Porém ficou claro em 2005 que essas medidas não eram suficientes. Porém os diferentes atores encontram dificuldades para chegar a um consenso em torno dos objetivos.

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