Democracia direta

Suíça - uma democracia de duas classes

A Suíça é um país democrático, cujo sistema é invejado por muitos outros países. Mas de fato, a verdadeira democracia só começou a partir de 1971: foi quando as mulheres conquistaram o direito de voto. No entanto, os estrangeiros ainda não dispõem desses direitos.

Este conteúdo foi publicado em 12. março 2020 - 09:55
Philip Schaufelberger (ilustração)

Os estrangeiros pagam impostos, contribuem à previdência social, ao seguro-desemprego e participam da economia doméstica. No entanto, por não ter direitos políticos, um quarto dos 8,6 milhões dos habitantes do país são considerados cidadãos de segunda classe.

Uma dessas pessoas é Paola Palmieri.  "Nasci na Basileia em 1977. Meu visto de estrangeiro foi expedido na minha data de nascimento. Aqui fui à escola e aqui é a minha casa", diz.

Mas ela só vota na Itália, os pais de onde os pais vieram. E qual a razão? É porque na Suíça, os direitos políticos dependem da cidadania do eleitor.

Em nível estadual, os estrangeiros só podem votar em dois cantões: Neuchâtel e Jura (no total são 26). Em nível municipal já são cinco: além dos dois, Friburgo, Vaud e Genebra.

Apesar de os cantões gemanófonos serem menos liberais do que os francófonos na questão do direito de voto para estrangeiros, Appenzell Exterior, Basileia-cidade e Grisões têm leis que permitem estrangeiros votar em assuntos municipais.

No total, os estrangeiros têm direito à participação política em 600, dos 2.202 municípios.

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O direito de voto para estrangeiros tem pouca chance de aprovação em nível nacional. "Sem passaporte, sem participação" é a posição da maioria dos partidos de centro e direita. "O direito de voto não pode ser dado gratuitamente. É preciso lutar para tê-lo. A única forma é através da naturalização", defende Thomas Burgherr, deputado-federal pelo Partido do Povo Suíço (SVP, na sigla em alemão)

Os pragmáticos focalizam mais sobre o nível comunal. Um deles é Joachim Blatter. A Suíça exclui mais pessoas do sistema democrático do que a maioria dos vizinhos europeus, afirma o professor de ciências políticas na Universidade de Lucerna. Em sua opinião, qualquer um deveria poder votar se viveu mais de cinco anos no mesmo município.

Blatter é parte de uma nova dinâmica que surge especialmente nas regiões urbanas como Zurique e Basileia. Mas também nas regiões de montanha da Suíça a questão do direito de voto para estrangeiros também é debatida. Um exemplo é dado pela conhecida estação de esqui de St. Moritz.

O município de Kloten, que abriga o Aeroporto Internacional de Zurique, organiza encontros regulares para suíços e estrangeiros que ainda não têm direito de voto. Aqui acompanhamos um deles.

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