Suíça em Pattaya vira referência para aposentados no exterior
Residente na Tailândia desde 1990, a suíça Esther Kaufmann se tornou, ao longo das décadas, o principal ponto de apoio para aposentados e expatriados de seu país em Pattaya. Nomeada cônsul honorária em 2023, ela oferece orientação administrativa, escuta demandas sensíveis e lida com temas delicados.
Quando Esther Kaufmann abre sua agência de viagens em Pattaya nas manhãs de segunda-feira, geralmente várias pessoas já esperam do lado de fora. Muitas delas são idosos suíços, visitantes de inverno ou expatriados de longa data. Elas precisam de apoio administrativo, ajuda para entrar em contato com a embaixada ou simplesmente de alguém que as ouça.
Esther Kaufmann arranja tempo sempre que possível. Aos 66 anos, ela ocupa o cargo de cônsul honorária da SuíçaLink externo em Pattaya desde 2023, uma função que não buscou, mas que dá continuidade ao longo de décadas de dedicação.
“Pattaya é mais do que sua reputação”
Cerca de 10.700 cidadãos suíços vivem na Tailândia, dos quais quase dois terços são homens. Grande parte da diáspora suíça reside na costa leste tailandesa, na região de Pattaya.
A cidade é considerada por muitos como a epítome dos clichês tailandeses: vida noturna agitada, zona de prostituição e homens ocidentais em busca de um novo estilo de vida.
“Pattaya é muito mais do que sua reputação”, diz Kaufmann. “Se você procura um ambiente festivo, encontrará aqui, mas também encontrará relaxamento, natureza e ar de boa qualidade.” É justamente a combinação da proximidade com o mar e boas comodidades que a torna tão especial.
Do voluntariado ao cargo oficial
Esther Kaufmann vive na Tailândia desde 1990 e em Pattaya desde 2009. A cabeleireira de formação construiu sua vida e seu próprio negócio aqui e, desde então, tornou-se um dos contatos mais importantes para muitos cidadãos suíços na região. Nos últimos dois anos, ela também atuou oficialmente como Cônsul Honorária da Suíça.
“Fiquei muito honrada com o convite”, diz Kaufmann em retrospectiva. Aparentemente, a representação suíça em Bangkok já sabia há algum tempo do trabalho que ela realizava em prol dos seus concidadãos suíços.
O caminho para a nomeação oficial como cônsul honorário não foi nada fácil, e passou por carta de candidatura, certidão de antecedentes criminais, a burocracia complexa devido à pandemia e, finalmente, a assinatura do rei da Tailândia. Do pedido inicial em 2020 até a confirmação foram necessários três anos.
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Suíça amplia rede global de cônsules honorários voluntários
Uma mulher como cônsul honorária em Pattaya, uma cidade dominada por homens? Kaufmann afirma: “Há muitas mulheres expatriadas aqui também”. Muitas delas a procuram com suas preocupações. “Recentemente, uma mulher me perguntou o que aconteceria com ela se morresse sozinha em casa”, conta Kaufmann.
Como lidar com um falecimento
A morte é um tema importante, especialmente na Tailândia, lar da diáspora suíça mais antiga do mundo. Muito trabalho educativo precisa ser feito aqui. “Testamentos, diretivas antecipadas de saúde, pedidos de pensão e pensão por viuvez. Tento conscientizar meus concidadãos sobre esses assuntos o máximo possível.”
A própria Kaufmann é viúva. Depois de muitos anos na Tailândia com o marido, em 2012, ela se viu diante da seguinte questão: “Fico aqui depois da morte do meu marido ou volto para casa e recomeço a vida?”. Para ela, a resposta foi clara: ficaria. “Construí uma rede de contatos na Tailândia e, com minha agência de viagens, tenho um propósito”, disse Kaufmann.
Ela se sente em casa na Tailândia. “Mas eu sou e continuarei sendo suíça”, diz ela. Sempre que possível, ela também participa das eleições federais, “se eu conseguir receber os documentos a tempo”, acrescenta Kaufmann. Porque o serviço postal na Tailândia é pouco confiável.
Sua filha, que possui passaporte tailandês, mora atualmente na Suíça com os filhos. Eles seriam o único motivo para Kaufmann retornar à Suíça neste momento. “Se minha filha precisasse de mais apoio, então eu consideraria voltar”, diz ela. Caso contrário, Kaufmann vê seu futuro em Pattaya. “Tenho uma boa vida aqui.”
Mesmo antes de ser nomeada representante suíça na Tailândia, ela visitava prisões, às vezes semanalmente. “Em algum momento da década de noventa, chegamos a ter 44 detentos de língua alemã nas prisões ao redor de Bangkok”, relata Kaufmann.
Naquela época, esses condenados estavam presos há um “tempo incrivelmente longo”. Kaufmann, juntamente com um grupo de mulheres, ela levava comida para a prisão, conversava com eles e provavelmente salvou a vida de alguns com suas visitas. Ela se lembra de um suíço que sofria de esquizofrenia e que, com sua ajuda, recebeu a medicação necessária.
Desde que se tornou cônsul honorária, ela não faz mais essas visitas. “A representação suíça na Tailândia geralmente cuida disso”, disse Kaufmann.
O que é particularmente importante para ela, no entanto, é comparecer a funerais; mais como pessoa física do que em sua função de cônsul honorária. “Todos os assuntos administrativos relativos a um falecimento são de responsabilidade da embaixada”, afirma. Ela pode apenas encaminhar seus compatriotas e seus familiares à embaixada. Sempre que possível, porém, ela comparece ao funeral, “simplesmente para que alguém da Suíça esteja presente”.
Ajuda que vai além do horário de expediente
Kaufmann dedica muito tempo ao seu cargo não remunerado de cônsul honorária. Durante a alta temporada, entre outubro e abril, tantos cidadãos suíços a visitam que ela frequentemente só consegue responder aos e-mails à noite. “Como sou solteira, isso não afeta ninguém”, diz Kaufmann. Ela simplesmente fica feliz em poder ajudar.
Kaufmann tem dificuldades quando compatriotas vêm ao seu escritório com certas expectativas. Ela então precisa explicar-lhes que um consulado honorário não é a representação oficial. “Às vezes, gostaria de ter uma divisória de acrílico como nos balcões das embaixadas”, diz Kaufmann. Mas, em geral, a maioria das pessoas se mostra grata.
Questionada sobre asmanchetesLink externo dos últimos anos em que cidadãos suíços atraíram atenção negativa na Tailândia, Kaufmann admite: “Sim, houve alguns que se comportaram mal”. Mas, em geral, diz ela, não são os suíços que causam problemas por aqui.
A divisão social dentro da diáspora tailandesa é significativa. “Há pessoas que precisam sobreviver com 1.200 francos suíços por mês”, diz Kaufmann. Por outro lado, há multimilionários. Reunir esse grupo tão diverso em um clube suíço é quase impossível, e é por isso que, até agora, eles se abstiveram de criar um em Pattaya.
Edição: Balz Rigendinger
Adaptação: DvSperling
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