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Turismo internacional bateu recorde em 2025, com forte impulso do Brasil

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Desafiando as tensões geopolíticas, o turismo internacional cresceu 4% em 2025, atingindo um recorde histórico de 1,52 bilhão de viagens internacionais, informou a ONU Turismo nesta terça-feira (20). 

Segundo esta agência da ONU, sediada em Madri, a receita do turismo aumentou 5%, chegando a 1,9 trilhão de dólares (10,1 trilhões de reais, na cotação atual), impulsionada pelo forte crescimento na África e na Ásia, e pelo notável crescimento no Brasil, com um aumento de 37% nas chegadas. 

“A demanda por viagens permaneceu forte ao longo de 2025, apesar da alta inflação nos serviços turísticos e da incerteza decorrente das tensões geopolíticas”, explicou a secretária-geral da ONU Turismo, Shaikha Alnowais, em um comunicado à imprensa. 

“Esperamos que essa tendência positiva continue em 2026, já que a economia global deve permanecer estável e os destinos que ainda estão abaixo dos níveis pré-pandemia devem se recuperar totalmente”, acrescentou.

Embora a Europa tenha permanecido o continente mais visitado, com 793 milhões de chegadas, a América do Sul registrou um aumento de 7% das chegadas internacionais, atingindo 39,2 milhões, impulsionada pelo Brasil.

A América Central também seguiu essa tendência positiva (13,5 milhões de chegadas, +5%), sustentada pelo forte desempenho de destinos como Guiana (+24%), Guatemala (+8%), Honduras e El Salvador (+7% cada). 

Embora algumas regiões do Caribe tenham apresentado estagnação devido ao impacto do furacão Melissa no último trimestre, o México manteve um crescimento de 6%. 

– Um setor exposto –

A Espanha, o segundo destino mais procurado do mundo depois da França, que se aproxima de 100 milhões de visitantes ano após ano, registrou um aumento de 7% nas chegadas.

O Índice de Confiança da ONU Turismo é positivo e para 2026 se espera que o turismo internacional cresça entre 3% e 4%. 

Este crescimento será impulsionado pela demanda de mercados emergentes e pela realização de grandes eventos, como os Jogos Olímpicos de Inverno de Milão-Cortina, na Itália, e a Copa do Mundo de futebol-2026, que será realizada conjuntamente em Canadá, Estados Unidos e México.

No entanto, “a incerteza decorrente dos riscos geopolíticos e os conflitos atuais, as tensões comerciais e os fenômenos climáticos poderiam afetar a confiança nas viagens”, alertou a agência.

“Um setor tão ligado à mobilidade internacional é especialmente vulnerável a crises sanitárias, geopolíticas ou climáticas”, assinalou à AFP Rafael Pampillón, professor de Economia da IE Business School de Madri.

Assim, na Espanha, por exemplo, “o impacto das mudanças climáticas – com ondas de calor mais frequentes e um estresse hídrico crescente – obrigará adaptar os calendários turísticos, as infraestruturas e a própria oferta, tanto nos destinos de sol e praia, quanto nas cidades”, acrescentou Pampillón.

Além disso, o aumento do fluxo turístico gera tensões com os moradores, pois a concentração de visitantes em um número reduzido de locais provoca cada vez mais problemas de congestão, mas também um aumento vertiginoso dos preços da moradia, pois muitos proprietários preferem alugar seus imóveis a preços elevados para os turistas.

rbj-al/avl/aa/mvv

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