Vale começa a construir sede internacional na Suíça

O presidente da Vale, Roger Agnelli, no lançamento da nova sede na Suíça. Reuters

A Companhia Vale do Rio Doce (Vale), vice-líder mundial no setor de mineração, decidiu fechar vários escritórios europeus e concentrar suas atividades para a Europa e Oriente Médio no cantão de Vaud, oeste da Suíça.

Este conteúdo foi publicado em 04. julho 2008 - 10:29

O projeto é ambicioso e será também a primeira sede internacional da empresa. A pedra fundamental da nova sede foi lançada nesta quinta-feira (03/07), com a presença do presidente da Vale, Roger Agnelli.

O novo edifício estará pronto no segundo semestre de 2009. Ele foi projetado pelo arquiteto baiano Fernando Peixoto e terá lugar para 350 funcionários. Coube ao escritório suíço de arquitetura Architram adequar o projeto às exigências locais.

O prédio de quatro andares, incluindo um subsolo, será construído sobre um terreno de 13.700 metros quadrados. Os custos totais são estimados em 50 milhões de dólares, segundo o diretor da Vale na Suíça, Renato Neves.

Arquitetura

"Fiz o projeto porque o Roger Agnelli não queria um prédio suíço nem americano, para que a Vale não se descaracterizasse totalmente", afirmou a swissinfo o arquiteto Fernando Peixoto. "Daí é que eu entrei nisso, botar um pouco de baiano num prédio na Suíça".

O arquiteto suíço Olivier Dépraz, sócio da Architram, disse à swissifo que "essa colaboração foi muito aberta, rápida, franca e interessante". Ele é quem adaptou o projeto e contratou a obra.

"Até alguns anos atrás, estávamos somente no Brasil, mas desde 2000 começamos a nos expandir e a diversificar nossas atividades através de aquisições. Escolhemos a Suíça porque é central para nós, nossos clientes, fornecedores e investidores", explicou Roger Agnelli em coletiva à imprensa.

"A Suíça tem uma imagem de excelência importante para as atividades da Vale, mas também vamos contribuir para o crescimento da economia suíça", acrescentou.

A proximidade do IMD, escola de formação de quadros de renome internacional e as pesquisas desenvolvidas na Escola Politécnica Federal de Lausanne (EPFL) também pesaram na decisão, além de incentivos fiscais do cantão de Vaud.

Tarefas estratégicas



A sede internacional da Vale na Suíça terá basicamente três atividades: a análise de risco para as atividades mundiais da empresa, o marketing para a Europa e o Oriente Médio e um centro de formação interno denominado Valer.

Durante a coletiva à imprensa, Agnelli precisou que "a escolha da Suíça foi ideal nessa fase crucial de internacionalização da empresa. Estamos em uma fase de mutação e de crescimento contínuo muito boa, que deve se manter este ano e em 2009".

Agnelli considera "normais" as oscilações de preços das matérias-primas (os cobre estão em queda). Para dar o exemplo contrário, citou a forte demanda por minério de ferro, principal produto no faturamento da Vale (38,72% no primeiro trimestre 2008).

Mercado mundial



Ele explicou que o planejamento da Vale é para o mercado mundial, com estratégia de longo prazo, e que também não teme os riscos de inflação. Agnelli considera salutares as correções da economia americana e a estabilidade na Europa porque, assim, a Ásia pode continuar crescendo. "Se essas três regiões crescem ao mesmo tempo, aí o risco inflacionário é maior."

Atualmente, ele está mais preocupado com a alta do preço do frete, principalmente para a Ásia, em que as concorrentes Rio Bravo (australiana) e BMP Billiton (americana) estão fisicamente mais perto do mercado. "Existe uma forte demanda por frete e os preços subiram muito", afirmou.

Investimentos

Parte do problema do frete será resolvido pelo plano de investimentos da Vale para os próximos cinco anos. Serão 59 bilhões de dólares, 90% no Brasil, incluindo a aquisição de 20 grandes navios. O essencial será aplicado em infra-estrutura (portos, ferrovias etc.).

"Quando encontramos recursos naturais, o problema se coloca: desenvolver logística para extrair e distribuir no mundo inteiro", explica Roger Agnelli, a preços competitivos".

Questionado sobre as condições de trabalho nas minas, Agnelli afirmou que "a mina hoje é uma indústria e que se trabalha sobretudo a céu aberto. Por isso, acrescentou, as condições de trabalho e as regras do meio ambiente são as mesmas das indústrias.

A Vale abandonou definitivamente os planos de aquisição da anglo-suíça Xstrata, controlada pela Glencore? Agnelli sorri e diz que "nada na vida é definitivo". Ele afirma que tem "bons amigos" nessas empresas, mas que atualmente não falam de negócios.

Ao saudar a instalação da sede internacional da Vale, o secretário de estado da Economia do cantão de Vaud, Jean-Claude Mermoud, citou dados da Vale (mais de 152 mil funcionários no mundo) e valor de mercado (mais de 157 bilhões de dólares) para falar do "contraste entre uma empresa-chave no mercado mundial e tranqüilidade da região". Pode ser também por isso que a Vale escolheu a Suíça.

swissinfo, Claudinê Gonçalves, St-Prex

Breves

Vale é a segunda companhia mineradora "diversificada" no mundo, depois da americana BMP Billiton.

Foi criada pelo governo federal brasileiro em 1° de junho de 1942 e privatizada em 6 de maio de 1997. Hoje está presente nos cinco continentes.

Valor de mercado em dezembro de 2007: 151.711 bilhões de dólares.

N° de funcionários no mundo: 152.724 (2007)-

Os dois principais produtos do faturamento são minério de ferro: 39,72% e níquel (23,50%)

Fonte: Vale

End of insertion

Roger Agnelli

Foi nomeado presidente da Vale em julho de 2001.
Anteriormente trabalhou 20 anos no Bradesco (1981-2001).

Nesse período, fez parte e presidiu vários conselhos de administração, inclusive o da própria Vale.

End of insertion

Este artigo foi automaticamente importado do nosso antigo site para o novo. Se há problemas com sua visualização, pedimos desculpas pelo inconveniente. Por favor, relate o problema ao seguinte endereço: community-feedback@swissinfo.ch

Partilhar este artigo