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Brasil afirma sua democracia ao condenar Bolsonaro por tentativa de golpe

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KEYSTONE/SEBASTIAO MOREIRA

O julgamento de Jair Bolsonaro por tentativa de golpe é visto na Suíça como um marco da resiliência democrática brasileira. A imprensa também destacou a manutenção da taxa Selic em 15% pelo Banco Central e a assinatura do acordo de livre comércio entre Mercosul e EFTA, sinal claro contra o protecionismo global.

De 13 a 19 de setembro de 2025, vasculhamos a imprensa suíça para dar uma visão geral das notícias mais importantes relacionadas ao Brasil, Portugal ou África lusófona.

Brasil, o pulmão da democracia 

A condenação de Jair Bolsonaro pela Suprema Corte por tentativa de golpe de Estado marca uma virada em um país onde os responsáveis pela ditadura nunca foram julgados, escreve no jornal Le TempsLink externo o ensaísta e professor de relações internacionais Gabriel Petrus, que elogia a resiliência do modelo institucional brasileiro, enquanto o Estado de Direito é atacado em vários países. 

A decisão do Supremo Tribunal Federal brasileiro também representa a independência do poder judiciário e a soberania do país diante das pressões externas. Apesar das tentativas de interferência, das ameaças diplomáticas e das pressões políticas dos Estados Unidos – nomeadamente a controversa aplicação da lei Magnitsky, o cancelamento de vistos de juízes e as posições públicas divulgadas pela embaixada americana em Brasília –, o Brasil soube afirmar a sua autonomia e a sua capacidade de defender as suas instituições. Este julgamento é um ato de fé na democracia, no Estado de Direito e na memória coletiva. 

Ao condenar um ex-presidente por tentativa de subversão democrática, o Brasil ultrapassou um limiar simbólico. Este julgamento traça uma linha clara entre o passado e o futuro, entre a tentação do poder absoluto e a primazia do direito, entre a impunidade e a responsabilidade institucional. Com uma das taxas de participação eleitoral mais altas do mundo e instituições capazes de resistir a pressões internas e externas, o Brasil é hoje uma das maiores democracias liberais do globo. 

Essa afirmação do Estado de Direito ganha especial ressonância em um mundo onde o “Sul global” – uma noção muitas vezes generalizante e redutora – é frequentemente visto como palco de derrapagens autoritárias. Em um momento em que a democracia recua em muitas regiões, tanto no norte quanto no sul, o Brasil se afirma como um modelo de resiliência institucional. 

Fonte: Le TempsLink externo, em 18.08.2025 (em francês) 

Banco Central do Brasil mantém postura 

O Banco Central do Brasil manteve na quarta-feira sua taxa básica de juros em 15%, um dos níveis mais altos do mundo, com a inflação no país ainda elevada, apesar de uma desaceleração nos últimos meses. 

Essa taxa de referência, a Selic, já havia sido mantida nesse nível — o mais alto desde 2006 — no final de julho, encerrando um ciclo de alta que durou de setembro de 2024 a junho de 2025, disse o jornal econômico AgefiLink externo

“O contexto atual, marcado por grande incerteza, exige cautela na condução da política monetária”, indicou o Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom) em comunicado. 

O comitê declarou que permanecerá atento à conjuntura internacional, em particular às decisões do Federal Reserve dos Estados Unidos, que reduziu na quarta-feira suas taxas de juros pela primeira vez neste ano. 

Em julho, o Copom havia pedido cautela diante da “incerteza” relacionada à sobretaxa punitiva de 50% imposta pelo governo do presidente americano Donald Trump sobre diversos produtos brasileiros exportados para os Estados Unidos. Essas novas tarifas alfandegárias entraram em vigor em 6 de agosto. 

Fonte: AgefiLink externo, em 19.09.2025 (em francês) 

Comércio internacional: Guy Parmelin assina acordo de livre comércio com o Mercosul 

O Mercosul e a Associação Europeia de Livre Comércio ( EFTA) assinaram na terça-feira um acordo comercial que visa um mercado de 300 milhões de pessoas, visto pelo Brasil como um “sinal claro” diante das medidas protecionistas de Washington, noticiaram os jornais 24HeuresLink externo e Tribune de GenèveLink externo, bem como a maioria dos jornais suíços. O tratado inclui a Suíça, a Noruega, a Islândia e o Liechtenstein pela AELC, e a Argentina, o Brasil, o Uruguai, o Paraguai e a Bolívia pelo Mercosul. 

“Hoje, enviamos um sinal claro de que, em um mundo marcado por restrições comerciais e pelo aumento do protecionismo, continuamos a defender o comércio internacional baseado em regras”, declarou o ministro das Relações Exteriores do Brasil, Mauro Vieira, durante a cerimônia de assinatura no Rio de Janeiro, citado pelo 24Heures

A entrada em vigor deste acordo ainda depende da ratificação pelos parlamentos de cada país membro dos dois blocos. 

As negociações entre o Mercosul e a EFTA começaram em janeiro de 2017 e foram concluídas em julho deste ano. O acordo abrange várias áreas, desde o comércio de bens até a propriedade intelectual, passando por barreiras técnicas ao comércio, medidas sanitárias e serviços digitais, explicou o Tribune de Genève

Fonte: 24HeuresLink externo e Tribune de GenèveLink externo, em 17.09.2025 (em francês) 

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