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O controvertido sigilo bancário suíço não é “ilusão perdida”

Aludindo a romance famoso, o presidente da Associação Suíça dos Banqueiros, Georg Krayer (foto), estima que o sigilo bancário não é "ilusão perdida". Krayer afirma que esse sigilo é inegociável e se baseia numa "concepção do Estado liberal".

A Associação Suíça dos Banqueiros (ASB), em coletiva anual à imprensa, em Zurique, voltou a defender o sigilo bancário, sujeito e frequentes críticas. Falando a jornalistas, o presidente da ASB, Georg Krayer, disse que esse sigilo não é uma “ilusão perdida”, aludindo a “Illusions Perdues”, romance do clássico escritor francês, Honoré de Balzac, que data de 1847. Realçou que o sigilio profissional do banqueiro não é negociável por dois motivos: está baseado numa escolha democrática e reflete “nossa concepção profunda do Estado liberal”.

Georg Krayer ressalvou porém que o banqueiro deve ser íntegro e que os bancos têm sérias obrigações. E aproveitou-se da ocasião para criticar a atitude da praça financeira suíça no que diz respeito ao “caso Abacha”. (O ex-ditador nigeriano, Sani Abacha, conseguiu desviar para bancos suíços enormes somas de dinheiro público. Recentemente foram congelados 645 milhões de dólares no âmbito desse caso).

Em relação ao controvertido sigilo bancário é bom lembrar que ele existe em todos os países. O que ocorreu foi que em 1934, a Suíça fez do sigilo bancário um delito. Um delito que podia dar cadeia e multas de até mais de 30 mil dólares. O sigilo assumiu então um caráter oficial e quase sagrado.
Esse aspecto teria desaparecido pelo menos em parte. Freqüentes pedidos de ajuda judicial são geralmente aceitos o que implica maior flexibilidade dos bancos nessa questão. Por outro lado, com nova legislação os bancos têm obrigação de denunciar dinheiro de que se suspeite seja de origem criminosa. (gb)

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