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Informática para professores

Um curso de informática para professores de Berna em 1990.
Um curso de informática para professores em Köniz, 1990. Musée national suisse / ASL

Na década de 1990, o cantão de Berna introduziu a informática no currículo escolar e inscreveu seus professores em cursos de aperfeiçoamento. O cantão (estado) foi um dos pioneiros nessa área.

swissinfo.ch publica regularmente artigos provenientes do blog do Museu Nacional da SuíçaLink externo, dedicados a assuntos históricos. Esses artigos estão sempre disponíveis em alemão e, geralmente, também em francês e inglês.

Março de 1990: uma pequena sala no município de Köniz, no cantão de Berna, repleta de mesas e computadores. Os olhos dos homens ali reunidos estão fixos nas telas à sua frente, enquanto movem seus mouses diligentemente. Não se trata de uma reunião de um clube de informática, mas de um curso de desenvolvimento profissional para professores.

Todo o evento está sendo acompanhado por um pequeno grupo de jornalistas e fotógrafos (ver detalhe) encarregados de cobrir o projeto de introdução de cursos de informática nas escolas de ensino fundamental e médio de Berna. Um orçamento de 950 mil francos foi destinado à reforma de novas salas de aula no cantão e à compra de computadores. A classe política pretende ampliar a formação em informática para professores e lançar as bases para a introdução da informática como uma nova disciplina no ensino fundamental e médio.

Para informática para professores de Berna em 1990
É o cursor, aqui? O corpo docente também teve de receber formação em informática antes de poder dar aulas. Musée national suisse / ASL

O projeto prevê a introdução gradual de cursos de informática. Até 1995, todas as escolas do cantão deverão ter pessoal qualificado e computadores suficientes para ministrar cursos de informática de acordo com o currículo. A longo prazo, a tecnologia da informação deverá ser integrada ao cotidiano escolar e utilizada também em outras disciplinas.

Alguns especialistas, no entanto, criticam o fato de os computadores serem considerados meras “ferramentas”. Eles argumentam que o ensino de ciência da computação, assim como o das ciências naturais, deve proporcionar uma compreensão completa de como os computadores funcionam, incluindo conhecimentos de programação. Segundo eles, os jovens não deveriam sair da escola sem terem adquirido “alfabetização digital”.

Este também é o sentimento geral dentro da classe política. Ao mesmo tempo, a secretária de Educação do cantão de Berna, Leni Robert, acredita que não se trata de formar “jovens programadores de visão restrita”. No entanto, são precisamente esses perfis que teriam se beneficiado de excelentes perspectivas, visto que, naquela época, o trabalho com computadores estava se tornando cada vez mais difundido e o setor de TI vivenciava um crescimento explosivo.

Conferência de imprensa de Leni Robert em 1990
Leni Robert declarou que os computadores tinham o seu lugar na escola, mas que era necessária uma abordagem crítica. Musée national suisse / ASL

Apple já era uma das principais empresas do setor.

Cabia aos municípios de Berna adquirir os novos sistemas informáticos previstos no projeto e escolher um fornecedor. O mercado, àquela altura, era composto por PCs com sistema operacional MS-DOS, mas também por modelos Apple Macintosh, que gozavam de crescente sucesso.

Nascido do desejo de criar “o computador para todos nós”, o Macintosh é produto de diversos desenvolvimentos tecnológicos, sociais e econômicos cujas origens remontam à década de 1970. Naquela época, as empresas de tecnologia começaram a desenvolver microprocessadores cada vez mais potentes e acessíveis.

Enquanto isso, entusiastas da tecnologia, inspirados pela perspectiva de um “computador do povo”, defendem um acesso mais amplo à computação. Essa tendência se manifesta inicialmente no surgimento de “computadores para hobby”, projetados para indivíduos com conhecimento técnico. Graças aos avanços em hardware e software, esses computadores logo se tornam acessíveis e fáceis de usar para uso doméstico.

Naquela época, a Apple adotou uma estratégia de marketing focada na expansão. Na década de 1980, milhares de sistemas Macintosh foram fornecidos a universidades americanas em condições favoráveis por meio do programa Education Consortium. Ao longo da década seguinte, a empresa expandiu significativamente sua unidade de produção em Cork, na Irlanda, para melhor atender aos mercados europeus, incluindo as escolas suíças.

Computador Apple do início dos anos 90
A Apple também contribuiu para a rápida difusão dos computadores no campo da educação. Aqui, um modelo de 1984. Musée national suisse

Os modelos Macintosh também são usados no Centro de Formação de Professores de Köniz. Ao contrário do que seu tamanho compacto e design sofisticado possam sugerir, esses computadores domésticos de primeira geração ainda não estavam totalmente desenvolvidos. O chassi apertado do Macintosh Plus, lançado em 1986, podia superaquecer sob uso intenso, causando danos. Em Köniz, um adesivo na borda superior da tela alerta para que não se coloque nada sobre o computador, a fim de evitar obstruir o fluxo de ar.

Embora o ensino de informática nas escolas obrigatórias de Berna tenha sido introduzido gradualmente apenas a partir de 1990, os computadores já eram mais comuns em outras áreas do sistema educacional suíço. De acordo com um estudo de 1989 da ETH Zurich, cerca de 16 mil computadores já estavam em uso, principalmente em escolas profissionalizantes e ginásios. Em contrapartida, apenas 20 a 30% dos jovens utilizavam computadores nas instituições de ensino obrigatório.

Revolução nos lares

A situação é bem diferente na esfera privada. Lançado em 1982, o computador pessoal Commodore 64 rapidamente se tornou um grande sucesso comercial. A revista alemã Der Spiegel dedicou sua edição de 11 de dezembro de 1983 ao computador, que estava cada vez mais presente nos quartos das crianças, sob o título “Das grosse Geschäft” (Um grande negócio). Alguns jovens na vanguarda do progresso tecnológico chegaram a relatar que já estavam ganhando dinheiro escrevendo seus próprios programas.

Capa de uma revista Spiegel de 1983 sobre informática nos quartos das crianças.
Capa da revista alemã DER SPIEGEL de 11 de dezembro de 1983. © Der Spiegel

Será que o cantão de Berna já estava atrasado em termos de desenvolvimento tecnológico e social em 1990? Por um lado, sua decisão de introduzir cursos de informática no ensino obrigatório ainda o tornava pioneiro na Suíça. A implementação gradual desta tecnologia nas escolas também permitiu que a formação de professores acompanhasse o progresso tecnológico. Além disso, os dispositivos estavam se tornando mais baratos e mais potentes com o passar do tempo.

Por outro lado, nada conseguiu deter o avanço triunfal do computador na década de 1990 por um bom tempo. Enquanto os professores de Berna ainda faziam cursos de informática, um número crescente de crianças e adolescentes aprendia a usar computadores em casa de forma intuitiva e lúdicaLink externo. O computador estava se tornando um objeto do cotidiano, e empresas como a Apple, que praticavam marketing eficaz e tornavam seus produtos acessíveis a um público amplo, desempenharam um papel significativo nisso.

Sala de informática num vagão da CFF em 1988.
A Companhia de Trens da Suíça (SBB, na sigla em alemão) também reagiram à revolução informática inaugurando um vagão-escritório em 1988. Computadores, telefones, faxes e fotocopiadoras foram colocados à disposição dos passageiros. Musée national suisse / ASL

A introdução de cursos de ciência da computação, portanto, não é o resultado exclusivo de uma política educacional voltada para o futuro. Ela faz parte de uma tendência tecnológica, social e econômica mais ampla que persiste até os dias atuais.

A Actualités Suisses Lausanne (ASL) foi fundada em 1954 por Roland Schlaefli e foi considerada, até seu fechamento em 1999, a mais importante agência de fotografia de imprensa da Suíça francófona.

Em 1973, Roland Schlaefli também adquiriu os arquivos da agência Presse Diffusion Lausanne (PDL), fundada em 1937. Os acervos das duas agências representam aproximadamente seis milhões de fotografias (negativos, cópias e slides).

Dentre a ampla gama de tópicos abordados, três principais se destacam: política nacional, esporte e a Suíça francófona.

A agência não sobreviveu à transição para a era digital. Desde 2007, os arquivos da ASL e da PDL estão sob a guarda do Museu Nacional Suíço. Este blog apresenta, em ordem aleatória, fotografias e séries fotográficas que chamaram particularmente nossa atenção durante o processo de restauração.

Andreas Walter estuda história contemporânea e ciências antigas na Universidade de Zurique e trabalha nos arquivos cantonais de Schaffhausen.

Link para o artigo original publicado no blog do Museu Nacional Suíço

Adaptação: DvSperling

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