Suíça tende a descriminar maconha
A grande maioria dos estados e dos partidos políticos suíços é favorável à descriminação da maconha. A questão é abordada no processo de consulta, antes da revisão da lei dos entorpecentes. Por outro lado, o número de mortes por drogas pesadas diminui.
A maconha será certamente descriminada na Suíça nos próximos anos. O governo prepara a revisão da lei dos entorpecentes e vai enviar o projeto ao Parlamento nos próximos meses. No sistema suíço, quando o governo pretende mudar uma lei, o projeto é submetido ao processo de consulta, período em que todos os interessados podem se pronunciar. Funciona como uma espécie de medida da opinião pública que, lógicamente, é levada em consideração pelo Parlamento.
O ponto central da revisão da lei será o das sanções aos consumidores de drogas. A maioria dos estados e dos partidos políticos considera que os consumidores de maconha não devem ser mais considerados como criminosos. O consumo, o cultivo, a compra e a posse para ao consumo seriam portanto autorizados.
Dos quatro partidos no governo, só a União Democrática do Centro (UDC) é contra a liberalização até do consumo. No outro extremo, o Partido Socialista quer a descriminação do consumo também das drogas pesadas.
A Comissão federal juventude (CFJ) propõe equiparar as drogas ao álcool e ao tabaco, considerando que a separação entre drogas legais e ilegais dificulta o trabalho de prevenção. O restaurantes e bares são contra porque nâo consideram as bebidas alcóolicas como drogas.
O principal maior de agricultores (USP) é a favor da liberalização da maconha porque o plantio do cânhamo é rentável, com diversas aplicações. A lei atual é ambígua e os plantios são submetidos a severos controles.
A mais forte oposição à descriminação da maconha vem a USAM, União suíça de artes e ofícios, que ameaça inclusive lançar um referendo popular caso a liberalização seja aprovada.
Por outro lado, o número de mortes por drogas duras no ano passado na Suíça foi o menor dos últimos 12 anos. O resultado, segundo especialistas, é devido os programas de distribuição gratuita de heroina, sob estrito controle médico.
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