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A crise do Iraque freia economia suíça

Investidores estão à procura de sinais positivos na economia mundial. RTS

A valorização do franco frente ao dólar inquieta a indústria de exportação. Ao mesmo tempo, os índices da bolsa de valores na Suíça (Swiss Market Index) atingem o seu mais baixo nível desde 1997.

Este conteúdo foi publicado em 30. janeiro 2003 - 14:40

Um conflito no Iraque poderá colocar em perigo a recuperação da economia.

O franco suíço é uma moeda-refúgio, que atualmente tem sofrido muitas especulações. A vontade determinada de George W. Bush, presidente dos EUA, de atacar o Iraque provoca o medo de que a moeda suíça possa ter uma valorização ainda maior.

Apesar dos valores atuais, especialistas acreditam que o franco suíço não está exageradamente valorizado em relação à divisa européia.

"O franco suíço tem evoluido dentro uma margem estreita em relação ao euro, divisa com qual são compradas 60% das exportações suíças", afirma Jean-Claude Manini, economista do banco Lombard Odier Darier Hentsch, em Genebra.

Inquietude das empresas suíças

Assim o especialista explica que a valorização do franco suíço ocorre à longo prazo e que não houve nenhum movimento extremo de alta nos últimos meses.

Porém, devido às inseguranças que reinam atualmente no cenário internacional e as perguntas postas por ela - uma possível guerra no Iraque, sua duração, suas conseqüências, riscos de um choque no mercado de petróleo - as empresas suíças estão preocupadas.

Essa inquietude mundial reflete-se na desvalorização atual do dólar. Somente em 2002, o Euro teve uma valorização de 17% em relação à moeda americana. Essa baixa faz com que os investidores acabem migrando para portos mais tranqüilos: o ouro e moedas fortes como o franco suíço.

A reação das empresas suíças a esse cenário é imediata. Thomas Daum, diretor da Swissmem, organização que soma a Associação Patronal Suíça da Indústria de Máquinas (ASM) e a Sociedade Suíça de Construtores de Máquinas (VSM), acredita que a "desvalorização contínua do dólar poderá ter repercussões sérias para o país".

Para evitar problemas sérios na economia, o Banco Central da Suíça (BNS) faz sua parte para acalmar o mercado. "Nós não estamos nos preparando para uma guerra. Nossa missão é vigiar o mercado financeiro todos os dias, para que possamos reagir à qualquer situação de instabilidade", explica Werner Abegg, porta-voz do BNS.

Existem várias formas de intervir no mercado

Para evitar uma valorização exagerada do franco suíço, o BNS dispõe na sua carteira de uma série de medidas, que podem ser aplicadas para intervir no mercado em caso de necessidade. Mesmo com um espaço de manobra restrito, a instituição pode colocar sua taxa de descontos abaixo dos 0,75%.

Outra alternativa é modificar as taxas de câmbio, intervindo diretamente no mercado ao recomprar dólares e euros e vendendo francos suíços.

Também é possível instituir temporariamente uma taxa de câmbio fixa entre o franco suíço e o euro, de forma à dissuadir os investidores internacionais de procurarem a segurança e estabilidade da moeda suíça. Esse seria um meio de apoiar os exportadores suíços.

Bruno Gehrig, vice-presidente do BNS e membro do conselho de direção da companhia de seguros Swiss Life, evocou essa possibilidade no início da semana, durante uma entrevista dada ao jornal "Le Temps".

A declaração de Gehrig provoca reações, como a do banqueiro genebrino Jean-Claude Manini: - "O BNS traçou uma linha na areia ao tornar pública sua vontade de intervir imediatamente no mercado, caso ocorra uma valorização forte e súbita do franco suíço".

Essa opinião é dividida por Bernard Lamber, economista do banco Pictet. "O franco suíço continuará sendo um valor-refúgio e o BNS sinaliza, nesse sentido, que não deixará a moeda flutuar livremente, caso ocorra o pior dos cenários: um conflito iraquiano, juntamente com um choque no mercado do petróleo".

Um fenômeno bem mais grave

O economista considera que as possibilidades do BNS são maiores do que as do Banco Central Europeu. Este é obrigado a levar em consideração as políticas orçamentárias extremamente restritivas dos seus membros.

"A margem de manobra do BNS é muito maior. Mesmo se a instituição deve evitar uma aceleração do processo de endividamento, isso não significa que ela não possa intervir no mercado para apoiar ativamente o crescimento".

A crise iraquiana não faz mais nada do que já reforçar um problema já existente e mais grave: a crise também é a falta de perspectivas otimistas para a economia mundial.

Swissinfo, Jean-Didier Revoin

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