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Agências da ONU fazem chamado urgente para deter obesidade e fome na América Latina

(Arquivo) As agências especializadas da ONU lançaram nesta terça-feira (12) um chamado urgente para frear o aumento da obesidade nos adultos e da desnutrição infantil na América Latina e no Caribe afp_tickers
Este conteúdo foi publicado em 12. novembro 2019 - 19:27
(AFP)

As agências especializadas da ONU lançaram nesta terça-feira (12) um chamado urgente para frear o aumento da obesidade nos adultos e da desnutrição infantil na América Latina e no Caribe.

"De 1975 até hoje a obesidade triplicou. Hoje um em cada quatro adultos vive com obesidade, em uma região onde a fome voltou a crescer e afeta 42,5 milhões de pessoas", alerta o informe anual das Nações Unidas sobre a segurança alimentar e a nutrição em 2019.

O chamado a frear esse fenômeno foi assinado pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), sediada em Roma, assim como pela Organização Pan-Americana da Saúde/Organização Mundial da Saúde (Opas/OMS), o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) e o Programa Mundial de Alimentos das Nações Unidas (WFP).

Para as agências da ONU, é necessário promover uma alimentação adequada, programas de alimentação escolar e a regulação da publicidade e da comercialização de alimentos.

Também pedem maior controle da qualidade dos alimentos que se comercializam na rua, e da composição de alguns produtos para garantir seu aporte nutricional.

Segundo o informe, a obesidade em adultos afeta sobretudo os habitantes do Caribe, onde a porcentagem quadruplicou.

"Passou de 6% em 1975 para 25% e afeta 6,6 milhões de pessoas", ressalta o documento.

Os dados para o conjunto da região também são alarmantes.

"O aumento da obesidade é explosivo, afeta 24% da população regional, cerca de 105 milhões de pessoas, praticamente o dobro do nível global, de 13,2%", advertem as agências da ONU.

O fenômeno "não apenas tem enormes custos econômicos, mas também ameaça a vida de centenas de milhares de pessoas", explicou Julio Berdegué, representante da FAO para essa região.

Segundo os dados da ONU, na América Latina e no Caribe a cada ano morrem 600.000 pessoas devido a doenças relacionadas com a má alimentação, como diabetes, hipertensão e doenças cardiovasculares.

- Batalha contra ultraprocessados -

Na América Latina e no Caribe, o sobrepeso afeta 59,5% dos adultos, cerca de 262 milhões de pessoas, enquanto em nível global a taxa é de 39,1%.

As agências denunciaram também "o aumento preocupante da fome", que voltou a crescer na região, com 4,5 milhões de pessoas a mais.

"Em 2018, chegaram a somar 42,5 milhões, a cifra mais alta da última década", apontou o informe.

O fenômeno acelerou devido, entre outros fatores, à venda de produtos ultraprocessados, o que aumenta a exposição da população a quantidades excessivas de açúcar, sódio e gorduras.

"O consumo de comida rápida cresceu quase 40%. Na América Latina e no Caribe, crianças demais comem pouca comida saudável e muita comida processada", lamentou Bernt Aasen, diretor regional da Unicef.

"Quase uma em cada cinco crianças menores de cinco anos está desnutrida ou tem sobrepeso, o que a impede de crescer bem. É uma tarefa de todos que a comida saudável esteja disponível e seja acessível para todas as famílias, especialmente as mais vulneráveis", aponta o documento.

"Para os pobres, resulta hoje mais caro comer saudável do que comer mal", lamentam os especialistas, que pedem que as autoridades promovam alimentos saudáveis.

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