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Almagro inicia segundo mandato na OEA com promessa de luta contra a Covid-19 e 'ditaduras'

(Arquivo) O secretário-geral da OEA, Luis Almagro afp_tickers
Este conteúdo foi publicado em 27. maio 2020 - 19:22
(AFP)

Luis Almagro iniciou nesta quarta-feira seu segundo mandato à frente da Organização dos Estados Americanos (OEA) decidido a lutar contra as "ditaduras" e o "inimigo invisível" Covid-19, com uma mensagem especial ao Caribe, muito atingido pela pandemia.

O diplomata uruguaio, 56, fortemente apoiado pelos Estados Unidos, tomou posse como secretário-geral da OEA até 2025, após ser reeleito em 20 de março pelo voto secreto de 23 dos 34 membros ativos do bloco.

Duro crítico de Cuba, que considera a "ditadura mais antiga das Américas", com "efeito nocivo" em toda a região, principalmente na Venezuela e Nicarágua, Almagro não citou nenhum destes países em seu discurso ao Conselho Permanente da OEA, reunido em videoconferência.

Ele foi enfático em seu compromisso com os princípios democráticos que regem a organização multilateral, nascida em 1948, pedindo que os mesmos sejam reafirmados, em meio à crise da Covid-19.

"Neste segundo mandato, devemos normalizar a democracia como sistema político, o ideal para o hemisfério, sem discussão e sem exceções", disse Almagro. "Não cederemos na luta contra as ditaduras."

O secretário-geral disse que o "primeiro grande desafio" da OEA é apoiar os povos no combate ao "inimigo invisível, que ameaça vidas e sistemas políticos e econômicos", referindo-se ao novo coronavírus. Ele pediu à região uma "união-chave" para conseguir o apoio do restante do mundo nas reuniões de cúpula do G7 e G20.

Almagro, cuja candidatura não contava com o apoio declarado das nações do Caribe, muitas vezes críticas da sua posição dura em relação ao presidente venezuelano, Nicolás Maduro, dirigiu-se em particular a esta região, muito dependente de setores gravementes afetados pela pandemia, como turismo e transportes.

Passando do espanhol para o inglês, Almagro destacou o "desafio enorme" que representa para os países caribenhos, que sofrem o impacto da Covid-19, a próxima temporada de furacões, que deverá ser intensa. Ele pediu à comunidade financeira internacional que leve estas variáveis em conta na hora de reestruturar a dívida destes países.

Almagro insistiu no lema com o qual assumiu o cargo pela primeira vez, em 2015, "Mais direitos para mais pessoas", pedindo uma OEA "mais radicalmente feminista", e que seja superada "a infâmia de ser a região mais desigual do mundo. A OEA tem que ser a voz dos que não têm voz".

Delegados de cerca de vinte países saudaram a inauguração do Almagro, incluindo aqueles que declararam apoiar sua reeleição: Brasil, Bolívia, Costa Rica, Equador, Estados Unidos, Guatemala, Haiti, Panamá, Paraguai, Uruguai e Venezuela (representada pelo delegado do líder da oposição Juan Guaidó).

Durante as quase duas horas de sessão, eles destacaram a liderança de Almagro, sua busca por "um futuro mais equitativo" e sua "visão ética" da organização. Enfatizaram também que a OEA "se torna mais relevante" em tempos de crise.

"Ao superarmos as ameaças impostas pela COVID-19, nosso hemisfério enfrenta outros desafios", disse o embaixador dos EUA, Carlos Trujillo.

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