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Argentina flexibiliza quarentena em Buenos Aires apesar do alto nível de infecções

(A partir da esquerda) Horacio Larreta, Alberto Fernández e Axel Kicillof participam de entrevista coletiva em Buenos Aires afp_tickers
Este conteúdo foi publicado em 17. julho 2020 - 17:21
(AFP)

O governo argentino anunciou nesta sexta-feira uma flexibilização do confinamento na região metropolitana de Buenos Aires - apesar da persistência de um número elevado de infecções pelo novo coronavirus -, com a retomada gradual das atividades a partir da próxima segunda-feira.

Em Buenos Aires e periferia, será reaberto o comércio não essencial, indústrias e serão permitidas algumas atividades profissionais.

Também serão permitidos saídas esportivas e cultos limitados em templos religiosos, segundo anunciaram o prefeito Horacio Larreta e o governador da província de Buenos Aires, Axel Kicillof, em entrevista coletiva com o presidente Alberto Fernández.

As províncias de Jujuy, Chaco e Río Negro, que tinham apresentado novos surtos, também flexibilizam o isolamento a partir da próxima semana.

- "Risco latente" -

O presidente argentino pediu que a população redobre os cuidados individuais.

"Estamos muito longe de termos superado a situação. O risco é latente", assinalou Fernández. "O esforço que fizemos permite que nos mostremos como um dos países com menor número de mortos."

Com uma população de 44 milhões de habitantes, a Argentina soma 114.770 casos de Covid-19, com 2.133 mortos. O índice de mortalidade é de 46,5 a cada 100.000 habitantes. Há duas semanas, o número de infectados é de cerca de 3 mil por dia.

"Os que saem para as ruas (para protestar contra a quarentena) não me pressionam, ou os que dizem que o vírus não existe. Me pressiona a realidade, os comerciantes que estão com suas lojas fechadas e que querem sair para trabalhar", explicou Fernández ao explicar a decisão de abertura.

A região metropolitana de Buenos Aires, onde vivem 14 milhões de pessoas, concentra mais de 90% dos casos.

"Há um problema de saúde, e há um problema social, econômico e afetivo", reconheceu Kicillof.

O confinamento na Argentina começou em 20 de março e foi sendo flexibilizado aos poucos, principalmente nas províncias em que o número de casos foi baixo.

Mas Buenos Aires e sua periferia interromperam este processo há duas semanas, devido à aceleração do ritmo de infecções e ao medo de superlotação do sistema de saúde. A nova etapa de flexibilização se estenderá até 2 de agosto.

- "Marchas a favor e contra" -

Essa nova etapa ocorrerá até 2 de agosto. Dependendo da evolução dos contágios "haverá marchas contra e a favor", alertou Kicillof.

Atualmente, a taxa de ocupação da UTI na área metropolitana de Buenos Aires é de 64%, e no país de 54%.

Apesar do plano de ajuda estatal, o impacto do isolamento na economia foi bastante alto, com uma queda de 26,4% do PIB em abril e um aumento da pobreza e do desemprego.

"A flexibilização em um momento em que temos mais casos diários obedece ao cansaço e ao impacto econômico. É uma decisão mais política do que de saúde", disse o analista político Carlos Fara à AFP.

"Com essas medidas, o presidente mostra empatia com as necessidades da população, e junto aos governadores e prefeitos que o ajudam a demonstrar unidade", destacou Fara.

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