The Swiss voice in the world since 1935
Principais artigos
Democracia suíça
Newsletter

Argentina flexibiliza quarentena em Buenos Aires apesar do alto nível de infecções

(A partir da esquerda) Horacio Larreta, Alberto Fernández e Axel Kicillof participam de entrevista coletiva em Buenos Aires afp_tickers

O governo argentino anunciou nesta sexta-feira uma flexibilização do confinamento na região metropolitana de Buenos Aires – apesar da persistência de um número elevado de infecções pelo novo coronavirus -, com a retomada gradual das atividades a partir da próxima segunda-feira.

Em Buenos Aires e periferia, será reaberto o comércio não essencial, indústrias e serão permitidas algumas atividades profissionais.

Também serão permitidos saídas esportivas e cultos limitados em templos religiosos, segundo anunciaram o prefeito Horacio Larreta e o governador da província de Buenos Aires, Axel Kicillof, em entrevista coletiva com o presidente Alberto Fernández.

As províncias de Jujuy, Chaco e Río Negro, que tinham apresentado novos surtos, também flexibilizam o isolamento a partir da próxima semana.

– “Risco latente” –

O presidente argentino pediu que a população redobre os cuidados individuais.

“Estamos muito longe de termos superado a situação. O risco é latente”, assinalou Fernández. “O esforço que fizemos permite que nos mostremos como um dos países com menor número de mortos.”

Com uma população de 44 milhões de habitantes, a Argentina soma 114.770 casos de Covid-19, com 2.133 mortos. O índice de mortalidade é de 46,5 a cada 100.000 habitantes. Há duas semanas, o número de infectados é de cerca de 3 mil por dia.

“Os que saem para as ruas (para protestar contra a quarentena) não me pressionam, ou os que dizem que o vírus não existe. Me pressiona a realidade, os comerciantes que estão com suas lojas fechadas e que querem sair para trabalhar”, explicou Fernández ao explicar a decisão de abertura.

A região metropolitana de Buenos Aires, onde vivem 14 milhões de pessoas, concentra mais de 90% dos casos.

“Há um problema de saúde, e há um problema social, econômico e afetivo”, reconheceu Kicillof.

O confinamento na Argentina começou em 20 de março e foi sendo flexibilizado aos poucos, principalmente nas províncias em que o número de casos foi baixo.

Mas Buenos Aires e sua periferia interromperam este processo há duas semanas, devido à aceleração do ritmo de infecções e ao medo de superlotação do sistema de saúde. A nova etapa de flexibilização se estenderá até 2 de agosto.

– “Marchas a favor e contra” –

Essa nova etapa ocorrerá até 2 de agosto. Dependendo da evolução dos contágios “haverá marchas contra e a favor”, alertou Kicillof.

Atualmente, a taxa de ocupação da UTI na área metropolitana de Buenos Aires é de 64%, e no país de 54%.

Apesar do plano de ajuda estatal, o impacto do isolamento na economia foi bastante alto, com uma queda de 26,4% do PIB em abril e um aumento da pobreza e do desemprego.

“A flexibilização em um momento em que temos mais casos diários obedece ao cansaço e ao impacto econômico. É uma decisão mais política do que de saúde”, disse o analista político Carlos Fara à AFP.

“Com essas medidas, o presidente mostra empatia com as necessidades da população, e junto aos governadores e prefeitos que o ajudam a demonstrar unidade”, destacou Fara.

Mais lidos

Os mais discutidos

SWI swissinfo.ch - sucursal da sociedade suíça de radiodifusão SRG SSR

SWI swissinfo.ch - sucursal da sociedade suíça de radiodifusão SRG SSR