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Artrópodes de 429 milhões de anos tinham olhos como os insetos modernos

Fósseis de trilobitas são encontrados em todo o mundo afp_tickers
Este conteúdo foi publicado em 13. agosto 2020 - 15:46
(AFP)

O fóssil de um trilobita, preservado por 429 milhões de anos, permitiu comprovar que tinha uma visão comparável à das abelhas e libélulas atuais, revelaram pesquisadores nesta quinta-feira (13).

Os trilobitas eram artrópodes com corpos segmentados e exoesqueletos e habitavam todos os mares.

Essas criaturas rastejavam pelos antigos fundos marinhos da Era Paleozóica, que durou até cerca de 252 milhões de anos atrás, quando ocorreu a extinção em massa do Permicano-Triássico, também conhecido como "Grande Morte", e na qual desapareceram 95% das espécies.

O espécime descrito na revista Scientific Reports tem menos de dois milímetros de comprimento, com dois olhos semi-ovais na nuca, um dos quais não foi preservado.

Utilizando microscopia digital, pesquisadores alemães e britânicos descobriram estruturas internas incrivelmente semelhantes às dos olhos compostos dos insetos e crustáceos modernos, que enxergam através de um mosaico de lentes minúsculas, unidades separadas em que cada uma capta uma pequena quantidade de luz.

"No caso deste pequeno trilobita, o olho composto é quase igual aos das abelhas, das libélulas modernas e de muitos crustáceos diurnos modernos", afirmou uma autora do estudo, Brigitte Schoenemann, do departamento de zoologia da Universidade Alemã de Colônia.

Embora os olhos dos trilobitas sejam conhecidos há muito tempo como compostos, os espécimes mais antigos os tinham "em forma de fenda", "apenas viam em linha reta" e não tinham unidades visuais múltiplas.

"Neste tipo de trilobita, a visão é ampliada e o olho também pode virar parcialmente para cima", acrescentou.

- 'Assombroso' -

Este tipo de trilobita foi descoberto em 1846 perto de Lodenice, na República Tcheca.

Schoenemann disse que o espécime não era excepcional, sugerindo que um estudo mais aprofundado dos fósseis existentes poderia levar à descoberta de estruturas delicadas que até recentemente se acreditava terem desaparecido com o tempo.

"Eu simplesmente gostei deste trilobita de cabeça e olhos grandes. Mas quando o observei através do microscópio, o que vi foi assombroso", afirmou.

"Até pouco tempo, ainda se acreditava que apenas dentes, ossos e outros poderiam ser preservados nos fósseis, mas nunca estruturas celulares. Obviamente, isso mudou", explica.

Os trilobitas começaram a aparecer durante a chamada "Explosão Cambriana", que foi um aumento exponencial da diversidade biológica ocorrido há mais de 500 milhões de anos, povoando os oceanos por cerca de 250 milhões.

Os dinossauros surgiram mais tarde e sobreviveram aproximadamente 180 milhões de anos.

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