The Swiss voice in the world since 1935

Bolívia promulga lei que estabelece prazo para eleições mas bloqueios de estradas continuam

(12 ago) Apoiadores de Morales bloqueiam estrada entre La Paz e El Alto afp_tickers

A presidente interina da Bolívia, Jeanine Áñez, promulgou hoje uma lei que estabelece a data de 18 de outubro como prazo final para a realização das eleições, mas os bloqueios de estradas por grupos ligados ao ex-presidente Evo Morales continuam.

“Estamos aqui para a pacificação do país”, disse a presidente direitista ao promulgar a lei, aprovada de forma acelerada por ambas as câmaras do Congresso, dominadas pelo partido de Morales (2006-2019). Cabe agora ao Supremo Tribunal Eleitoral (TSE) determinar a data da votação.

A lei foi aprovada no Congresso por pressão de movimentos sociais ligados a Morales, que exigiam que não houvesse novos adiamentos das eleições, marcadas inicialmente para 3 de maio e adiadas por três vezes durante a pandemia. Estes grupos consideram que os adiamentos prejudicam o candidato presidencial de esquerda, Luis Arce, apoiado por Morales, que lidera as pesquisas eleitorais em relação ao ex-presidente de centro Carlos Mesa e a Jeanine Áñez.

Para defenderem sua causa, vizinhos, camponeses e indígenas apoiadores de Morales iniciaram bloqueios de estradas em todo o país, que afetam o transporte de insumos médicos em meio à pandemia. O vice-ministro de Regime Interior, Javier Issa, afirmou na manhã de hoje que “os bloqueios diminuíram desde a aprovação da lei no Congresso”.

O Senado aprovou a lei na noite de ontem, e a mesma foi ratificada hoje pela Câmara dos Deputados. Após a promulgação do texto pela presidente, os mesmos movimentos que exigiam a lei se declararam insatisfeitos. “Sofremos hoje uma traição, essa lei nunca foi acordada com o povo boliviano, nunca fomos levados em conta”, criticou o líder da Central Operária Boliviana (COB), Carlos Huarachi.

O sindicalista afirmou que o governo e o parlamento se concentraram apenas em resolver o tema eleitoral, e não atenderam outras reivindicações, como a reativação econômica, educação e medidas contra a pandemia.

Huarachi não comentou na entrevista os bloqueios das estradas, que se mantêm em vários departamentos do país, como La Paz, Oruro (oeste), Cochabamba (centro) e Santa Cruz (leste).

Em meio aos conflitos, o líder aimará radical Felipe Quispe Huanca afirmou que os indígenas dos Andes não irão suspender seus protestos, e exigiu a renúncia da presidente. No começo da década de 1990, Quispe integrou uma guerrilha juntamente com Álvaro García Linera, que foi vice-presidente de Morales.

Os bloqueios afetam o transporte de oxigênio para os hospitais em plena pandemia, enquanto, em La Paz, os preços dos alimentos começam a sofrer especulações. O ministro da Presidência, Yerko Núñez, afirmou hoje que 40 pessoas já morreram por falta de insumos médicos desde o início dos protestos.

O novo coronavírus já infectou mais de 95 mil pessoas e deixou 3.827 mortos na Bolívia, país de 11 milhões de habitantes. As eleições gerais deste ano substituem a votação contestada de outubro de 2019, que resultou em protestos que levaram à renúncia de Morales após quase 14 anos no poder.

Mais lidos

Os mais discutidos

SWI swissinfo.ch - sucursal da sociedade suíça de radiodifusão SRG SSR

SWI swissinfo.ch - sucursal da sociedade suíça de radiodifusão SRG SSR