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Brasil recomenda uso da cloroquina para tratar casos leves de COVID-19

Paciente com COVID-19 fala com um membro da família por videochamada em um hospital de campo instalado em uma academia de esportes, em Santo André, São Paulo, em 11 de maio de 2020 afp_tickers
Este conteúdo foi publicado em 20. maio 2020 - 13:09
(AFP)

O Ministério da Saúde ampliou, nesta quarta-feira (20), sua recomendação do uso de cloroquina e hidroxicloroquina em pacientes com sintomas leves do novo coronavírus, respondendo a uma solicitação do presidente Jair Bolsonaro, apesar da falta de evidências conclusivas sobre sua eficácia.

A prescrição do medicamento, usado para tratar outras doenças como a malária e que até agora era recomendada apenas em casos graves de COVID-19 devido à falta de estudos sobre sua eficácia, será "a critério do médico" e com a autorização do paciente, conforme o protocolo divulgado pelo ministério.

Ambos os remédios são usados há décadas para tratar a malária e doenças auto-imunes como lúpus e artrite reumatoide.

"Apesar de serem medicamentos usados em vários protocolos e terem demonstrado atividade in vitro contra o coronavírus", ainda não existem análises clínicas robustas "que provem o benefício inequívoco" no tratamento dos pacientes com COVID-19 e, portanto, cada médico deverá avaliar sua prescrição, ressalta o ministério da Saúde.

A cloroquina e a hidroxicloroquina - um derivado da cloroquina com menos efeitos adversos - "podem causar efeitos colaterais, como redução de glóbulos brancos, disfunção hepática, disfunção cardíaca e arritmias e distúrbios visuais por danos na retina", detalha o documento de consentimento que deve ser assinado pelos pacientes para autorizar o tratamento.

Bolsonaro, que descreveu a doença como uma "gripezinha", defende desde o início a ampliação do uso da cloroquina no tratamento de todos os pacientes, apesar da falta de evidências científicas sobre sua eficácia e de seus efeitos adversos conhecidos.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, revelou esta semana que está tomando comprimidos de hidroxicloroquina preventivamente.

A pressão de Bolsonaro para expandir o uso da droga é apontada como a principal causa da renúncia do último ministro da Saúde, o oncologista Nelson Teich, que ocupou o cargo por menos de um mês após a saída de seu antecessor, Luiz Henrique Mandetta, também devido a desacordos com o presidente sobre a gestão da crise.

O Brasil, o país mais afetado pelo novo coronavírus na América Latina, atingiu um novo recorde na terça-feira, registrando 1.179 mortes por COVID-19 em 24 horas. O saldo total é de 17.971 mortos e 271.628 infecções, embora especialistas apontem que esse número pode ser até 15 vezes maior devido à falta de testes.

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