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Brasil tem novo recorde diário de casos, com 67.860

Fisioterapeutas tratam Elenice da Silva, em 15 de julho de 2020, no Hospital Universitário Pedro Ernesto, no Rio de Janeiro afp_tickers
Este conteúdo foi publicado em 22. julho 2020 - 22:05
(AFP)

O Brasil registrou nesta quarta-feira (22) um novo recorde de casos do novo coronavírus nas últimas 24 horas, com 67.860, segundo o último balanço oficial.

Cinco meses depois do primeiro contágio, a cifra total de casos confirmados na pandemia chegou a 2.227.514 no segundo país no mundo com mais contágios e óbitos (82.771, com 1.284 nas últimas 24 horas), atrás dos Estados Unidos.

O recorde anterior tinha sido registrado em 19 de junho, com 54.771 casos confirmados.

Na sexta-feira passada, a Organização Mundial da Saúde (OMS) afirmou que a pandemia atingiu um "platô" no Brasil, instando o país sul-americano a aproveitar a oportunidade de controlar infecções.

Especialistas estimam que esse número esteja subestimado devido à falta de testes no país.

A pandemia está longe de ser controlada no Brasil, onde o número de mortos em sete dias oscila acima de 1.000 por mais de um mês, com amplas disparidades regionais.

As curvas estão progredindo acentuadamente nas áreas afetadas mais tarde, principalmente no sul e no centro-oeste, enquanto se estabilizam ou declinam em estados como São Paulo ou Rio de Janeiro, os primeiros afetados.

O estado de São Paulo, o mais populoso e rico, concentra um quarto das mortes do país, com 20.532 óbitos e quase 440.000 infecções.

O Rio de Janeiro é o segundo em número de mortes, com 12.443, e tem mais de 148.000 casos.

No cálculo de mortes por milhão de habitantes, a média brasileira permanece menos grave do que em outros países.

O gigante latino-americano registra 388 óbitos para cada milhão de habitantes, frente a 429 nos Estados Unidos, 608 na Espanha e 670 no Reino Unido, embora esses dois últimos tenham conseguido reduzir a curva de mortes e infecções semanas atrás.

Mas em alguns estados do norte e nordeste, a situação é muito pior, como por exemplo os 798 no Ceará e 765 no Amazonas.

- Ainda positivo -

A luta contra a pandemia no Brasil foi comprometida principalmente por sua politização.

O presidente Jair Bolsonaro realiza uma intensa campanha, alegando razões econômicas, contra as medidas de quarentena impostas pelos governadores.

A maioria dos estados está em um processo de suspensão do confinamento considerado prematuro por especialistas.

Bolsonaro contraiu o vírus, sem mudar sua postura desafiadora diante do que passou a descrever como "gripezinha".

Nesta quarta-feira, ele voltou a testar positivo para o coronavírus, duas semanas após o primeiro teste e o início de seu confinamento, embora a Presidência tenha declarado que ele continua com uma boa evolução da saúde, sendo acompanhado pela equipe médica.

O presidente reiterou que está melhorando graças à hidroxicloroquina, um derivado da cloroquina usada no tratamento de outras doenças, como a malária, contrariando todas as evidências científicas.

No domingo, ele exibiu uma caixa deste medicamento a dezenas de apoiadores que lotaram os portões da residência oficial em Brasília.

A pneumologista Margareth Dalcomo, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), disse à AFP que o presidente "engana" a população se posicionando desta forma em relação à hidroxicloroquina.

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