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Cacique Aritana se encontra em estado grave com COVID-19, diz seu filho

Foto de arquivo do cacique Aritana, do Alto Xingu, em 14 de agosto de 2005 afp_tickers
Este conteúdo foi publicado em 21. julho 2020 - 23:31
(AFP)

O cacique Aritana Yawalapiti, um dos grandes líderes indígenas do Alto Xingu, foi contaminado pelo novo coronavírus e se encontra em estado grave, motivo pelo qual está sendo transferido para um hospital em Goiânia, informou seu filho, Tapi, à AFP nesta terça-feira (21).

"Está confirmado" que Aritana, de cerca de 70 anos, está com a COVID-19, disse o seu filho por telefone.

"A situação do meu pai é complicada. Nesse momento o estão transferindo para um hospital em Goiânia", acrescentou.

Após sofrer graves problemas respiratórios, Aritana teve que sair de Yawalapiti, uma aldeia no coração da reserva do Parque Indígena Xingu, para ser atendido em um hospital do município de Canarana e finalmente transferido a Goiânia, capital de Goiás.

"O pulmão do meu pai está muito danificado. Então a preocupação do médico é fazer um tratamento pulmonar", disse Tapi na segunda, depois que Aritana fez uma tomografia em Canarana.

Um irmão e uma sobrinha do cacique já morreram por causa da doença, segundo seu filho.

De acordo com Tapi, há cerca de 200 moradores na aldeia Yalawapiti, quatro dos quais testaram positivo ao coronavírus e muito mais apresentam sintomas.

A comunidade está localizada no coração da reserva de Xingu, que tem cerca de 26.000 km², e na qual vivem cerca de 6.000 indígenas de 16 etnias.

Após a morte dos seus parentes, Aritana iniciou uma campanha para arrecadar fundos e levar cuidados médicos para essa terra indígena, que não tem recursos ou remédios para atender os pacientes mais graves, disse Tapi.

A ideia era tentar "montar um hospital de campanha ou comprar remédios, porque sem remédios no posto de saúde da vila, como o médico vai tratar febre, dor de cabeça, diarreia e dores no corpo?", questionou.

Ao menos cinco indígenas do parque do Xingu morreram por causa do novo coronavírus e 74 estão infectados, segundo a Secretaria de Saúde Indígena (Sesai).

O órgão, sob administração do Ministério da Saúde, defende que há 231 indígenas mortos pela COVID-19, e 12.050 infectados.

A Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB), que contabiliza os indígenas falecidos fora de suas terras, argumenta que o número correto seria de 17.071 casos e 544 mortos.

As comunidades indígenas, historicamente dizimadas por doenças trazidas da Europa, têm baixa imunidade a vírus vindos do exterior.

val/js/bn/mvv

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