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Chile aposta no reforço da rastreabilidade para evitar aumento da covid-19

Foto aérea mostra pessoas caminhando em uma rua de pedestres em Santiago, após o relaxamento de medidas restritivas para conter a covid-19 em 17 de agosto de 2020 afp_tickers
Este conteúdo foi publicado em 31. agosto 2020 - 17:18
(AFP)

O Chile, que passou por semanas críticas entre maio e junho devido à pandemia de covid-19, estabilizou o número de novos casos em grande parte do país e, para evitar picos, aposta em capacidade de testes em massa e na rastreabilidade, a principal estratégia para aliviar a quarentena.

No populoso bairro de Renca, ao norte de Santiago, o município lançou o chamado sistema "Centinela", onde 200 pessoas trabalham em paralelo com o Ministério da Saúde para encontrar casos ativos, contatar e isolar os enfermos e seus familiares, aplicando até mesmo inteligência artificial para maior eficácia.

"Contactamos 96% das pessoas próximas nas primeiras 48 horas. Nas outras comunas de Santiago, são identificados em média 0,9 contatos íntimos por cada pessoa com resultado positivo. Nós identificamos 4,1 contatos íntimos", conta à AFP o prefeito desta comuna de 160.000 habitantes, Claudio Castro.

Cada vez que um novo paciente é detectado, ele é chamado por telefone para localizar seus "contatos próximos" o mais rápido possível.

Se necessário, são realizados testes de PCR (swab) e, se forem positivos, o processo é reiniciado.

De acordo com o prefeito, todo esse trabalho é inútil se o restante da cidade não avançar no mesmo ritmo.

"Sem uma rastreabilidade forte e bem articulada entre as diferentes comunas do país, é a crônica de uma morte anunciada. Sem rastreabilidade vamos falhar", alerta Castro.

Renca, apesar de triplicar a rastreabilidade nacional, permanece em quarentena e acumula 8.000 casos e 250 mortes.

O prefeito atribui esse dado ao maior número de testes realizados.

- Quanto mais traçadores, melhor -

Com mais de 400.000 pacientes infectados e quase 15.000 óbitos (entre confirmados e suspeitos), o Chile tem atualmente 15.388 casos ativos, informou o Ministério da Saúde à AFP.

Neste contexto, possui 6.810 traçadores ativos e a Faculdade de Medicina estima que sejam necessários 9.000, mas a incorporação de mais recursos humanos depende da evolução das infecções.

"O cálculo que definimos é de 11 rastreadores (entre 8 a 12) para cada 100 casos ativos. Se considerarmos que há 15.000 casos ativos, devemos ter mais de 1.300 rastreadores. Até o momento, ultrapassamos em muito o número base", afirmou a pasta.

No entanto, o secretário-geral da Faculdade de Medicina, José Miguel Bernucci, considera que o Chile "é muito fraco" na hora de localizar contatos, com apenas 1,5 por paciente, enquanto a Organização Mundial de Saúde (OMS) pede ao menos 10 por caso positivo.

Um bom exemplo é a Austrália, onde 30 contatos são rastreados para cada paciente confirmado.

"O governo diz que vão aumentar à medida que aumentam os casos, mas devemos aumentá-los o mais rápido possível", acrescenta Bernucci.

Um último relatório da plataforma iCovid, que condensa informações independentes sobre o progresso da pandemia no Chile, relatou uma eficácia de 36% em nível nacional na notificação nas primeiras 48 horas a partir do início dos sintomas.

"Propusemos que mais de 80% dos casos, esperançosamente 90%, tenham rastreabilidade adequada. Isso significa que o paciente é localizado e rastreado em menos de 48 horas do início dos sintomas e que seus contatos também são localizados nos primeiros quatro dias", explica Bernucci.

Junto com a rastreabilidade, o Chile quer manter sua ampla capacidade de testes de PCR.

O país é um dos maiores exames da América Latina, acumulando mais de dois milhões de exames até o momento, com uma média diária de cerca de 25 mil exames.

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