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Chile procura saída política para inédita crise social

Manifestante mostra cartaz contra presidente chileno Sebastián Piñera em 30 de outubro de 2019 em Santiago afp_tickers
Este conteúdo foi publicado em 31. outubro 2019 - 19:05
(AFP)

O governo chileno voltou a convocar nesta quinta-feira (31) a oposição para buscar uma saída consensual para a inédita crise social vivida no país há duas semanas, que chegou a motivar o cancelamento de dois eventos internacionais e deixou 20 mortos.

Diferentemente do primeiro encontro, organizado três dias após a eclosão da crise na sexta-feira, 18 de outubro, o governo não excluiu nenhum partido com representação no Parlamento, incluindo o Partido Comunista, que anunciou que não compareceria.

O Partido Socialista (PS), principal conglomerado da oposição, confirmou sua participação no encontro liderado pelo novo ministro do Interior, Gonzalo Blumel, nomeado na segunda-feira pelo presidente Sebastián Piñera depois de remover oito dos 24 membros de seu gabinete.

"O estado de emergência foi suspenso e foram convidados todos os partidos políticos sem exclusões, por isso decidimos participar", disse o presidente do PS, Álvaro Elizalde.

Em meio a protestos em massa, saques e incêndios, Piñera decretou estado de emergência, que vigorou por nove dias - até a última segunda-feira - e colocou milhares de militares nas ruas.

Em reunião no palácio de La Moneda, sede da Presidência, Elizalde antecipou que pedirá ao governo a implementação de "uma ambiciosa agenda social".

Além disso, aderiu a uma proposta que ganha adeptos como possível forma de resolver a atual crise social: fazer uma nova Constituição, que substitua a herdada da ditadura de Augusto Pinochet (1973-1990).

"O país já não aguenta mais prorrogações", afirmou o presidente do Partido pela Democracia (PPD), Heraldo Muñoz, de oposição, acolhendo também o pedido de mudar a criticada Constituição, confeccionada sob medida para que a ditadura e as forças conservadoras mantivessem seu poder, mesmo após a redemocratização.

- Medidas profundas -

Com 41 anos e mais aberto ao diálogo do que seu antecessor, Blumel tem a missão de analisar com o mundo político chileno saídas da crise social, que em 13 dias deixou 20 mortos em um país semiparalisado.

A crise obrigou o presidente Piñera a anunciar nesta quarta-feira o cancelamento da organização do encontro de líderes do fórum Apec – com a presença confirmada do presidente dos Estados Unidos Donald Trump - e a cúpula do clima das Nações Unidas COP-25, que aconteceriam em poucas semanas em Santiago.

As duas reuniões vinham sendo organizadas há meses e ocupavam grande parte da agenda do presidente, que antes da crise se empenhava em posicionar-se como uma liderança internacional.

Após anunciar sua "dor" por cancelar ambas as reuniões, Piñera disse que agora se concentrará em restaurar a paz social e implementar uma agenda social com a qual pretende acalmar os protestos sociais. Seus anúncios até agora considerados insuficientes.

"Voltamos ao La Moneda hoje para tentar que o governo escute a necessidade de tomar medidas profundas", disse Carlos Maldonado, presidente del opositor Partido Radical.

Na quarta-feira, pela primeira vez, Piñera se mostrou aberto a analisar a possibilidade de realizar mudanças estruturais, embora privilegiando a instância de diálogo que encarregou a seu ministro de Desenvolvimento Social, Sebastián Sichel.

Organizações como a Central Unitária de Trabalhadores (CUT) denunciam que ainda não foram convocadas.

"Não é que haja uma falta deliberada de diálogo, o importante é que haja uma instância de diálogo com os movimentos sociais", afirmou Bárbara Figueroa, presidente da CUT.

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