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Cortizo assume presidência do Panamá prometendo resgatar imagem do país

Laurentino Cortizo, em imagem de 10 de maio de 2019 junto a sua esposa afp_tickers
Este conteúdo foi publicado em 01. julho 2019 - 21:14
(AFP)

O empresário social-democrata Laurentino Cortizo assumiu nesta segunda-feira (1) a presidência do Panamá com o desafio de melhorar sua imagem para atrair investimentos estrangeiros, em um país que busca se livrar do estigma de um paraíso fiscal e com uma economia em clara desaceleração.

Cortizo, de 66 anos, chega ao poder depois de ter vencido nas eleições de maio para o Rómulo Roux, de direita e herdeiro do ex-presidente Ricardo Martinelli, atualmente preso.

Ele substitui Juan Carlos Varela, que deixa a presidência com baixa popularidade devido à desaceleração econômica e descontentamento social motivado pelo clima de corrupção generalizada.

Em seu discurso de posse, Cortizo anunciou que criará, neste mês, uma unidade especial que "coordenará todas as ações para tirar e manter o Panamá fora das listas e nos consolidarmos como o melhor centro de negócios, serviços e logística da América Latina".

"Esse é um novo começo, resgatar o Panamá", afirmou. E em seguida alertou: "Nosso país foi desrespeitado e maltratado. Até aqui. Até hoje".

Empresário, pecuarista e ex-ministro de Desenvolvimento Agropecuário, Cortizo se comprometeu a governar para os mais humildes e "sem roubar".

Contudo, diante da desaceleração econômica, ele estabeleceu como desafio fundamental melhorar a imagem do Panamá no exterior para obter maior investimento estrangeiro e gerar empregos, em um país cuja expansão do Produto Interno Bruto (PIB) caiu de 6,2% para 3,1% em cinco anos.

Ele vai assumir um dos países mais desiguais do mundo, com desemprego de 6%, onde quase metade dos trabalhos são informais.

Isso ocorre em um contexto no qual o investimento estrangeiro direto foi de quase 24 bilhões de dólares entre 2014 e 2018 - o dobro do valor no quinquênio anterior.

A tarefa não parece fácil. O país centro-americano em 2016 o escândalo dos Panama Papers, uma investigação que revelou como, de um escritório de advocacia local foram criadas diversas sociedades opacas, algumas das quais teriam sido usadas por personalidades de todo o mundo para evadir impostos ou lavar dinheiro.

Além disso, com um canal interoceânico - pelo qual passam 5% do comércio marítimo mundial - portos e inúmeros cassinos, shopping centers e arranha-céus, o Panamá é frequentemente acusado de ser um paraíso fiscal e aparece em diferentes listas internacionais.

A França mantém o país na sua lista de paraíso. A União Europeia e a Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE) também fizeram isso, embora posteriormente tenham retirado o país.

Nos últimos anos, o governo acelerou as reformas para proteger seu sistema financeiro, penalizar a evasão fiscal com cadeia e trocar informações sob os parâmetros da OCDE, sem impedir que as organizações internacionais observem de perto.

Cortizo disse que fará os "ajustes" necessários no sistema financeiro para sair das listas "em um ano", mas terá que enfrentar a oposição de alguns setores, que já chegaram a acusar o governo anterior de "ceder" soberania a organismos como a OCDE.

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