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Defensoria do Povo acusa o governo boliviano de crimes contra a humanidade

Foto da presidente interina da Bolívia Jeanine Áñez, em mensagem aos cidadãos para a celebração da independência do país, divulgada pela Presidência boliviana em 6 de agosto de 2020 afp_tickers
Este conteúdo foi publicado em 17. setembro 2020 - 22:28
(AFP)

A Defensoria do Povo da Bolívia denunciou nesta quinta-feira (17) que o governo transitório de Jeanine Áñez foi responsável por violações de direitos humanos e crimes contra a humanidade durante os conflitos sociais do final de 2019.

“Na Bolívia houve uma violação dos direitos humanos entre outubro e novembro de 2019. Pra começar, destacamos que o governo de transição cometeu crimes contra a humanidade durante o conflito pós-eleitoral”, disse a defensora Nadia Cruz em entrevista coletiva.

Cruz também afirmou que o governo de direita de Jeanine Áñez “tem cometido sistematicamente homicídios contra a população civil sob o conhecimento, ordens e instruções da atual administração para se consolidar no poder e atos de tortura da Polícia."

A defensora indicou ainda que fatos não foram esclarecidos e vítimas não tiveram acesso oportuno à justiça.

Após as eleições presidenciais de outubro de 2019, que foram anuladas na sequência, protestos da oposição eclodiram em todo o país com denúncias de fraude em favor do então presidente de esquerda Evo Morales, que buscava ser reeleito até 2025.

Inicialmente houve confrontos entre civis e depois entre manifestantes e forças combinadas da Polícia e das Forças Armadas em várias regiões, que totalizaram cerca de 35 mortes.

Os conflitos mais graves ocorreram entre 15 e 19 de novembro em Sacaba, na região central de Cochabamba, e na área de Senkata, em El Alto, segundo a Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), em uma denúncia ratificada pela Ouvidoria.

O governo declarou várias vezes que todas as mortes registradas durante esses conflitos não são atribuíveis às forças de segurança. Também denunciou o ex-presidente Morales ao Ministério Público por promover a violência social.

Após renunciar em novembro de 2019, Morales pediu asilo no México e, um mês depois, refugiou-se na Argentina.

Áñez, que o sucedeu no poder, afirma que o mandato da defensora Cruz já expirou e que ela é aliada de Morales.

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