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Eleições legislativas na Venezuela geram repúdio internacional

Mulher participa de simulação em Caracas para as eleições parlamentares, realizadas em 15 de novembro afp_tickers
Este conteúdo foi publicado em 07. dezembro 2020 - 19:32
(AFP)

As eleições legislativas de domingo na Venezuela, nas quais o chavismo retomou o controle do Parlamento, cinco anos depois de perdê-lo, provocaram nesta segunda-feira (7) o repúdio de muitos países, por serem realizadas sem oposição e sem observadores internacionais.

Os Estados Unidos, que pressionam a Venezuela para que o presidente Nicolás Maduro deixe o poder, disseram que "continuarão a reconhecer" o líder da oposição Juan Guaidó como o "presidente interino" do país após eleições legislativas que consideram uma "farsa".

"A comunidade internacional não pode permitir que Maduro, que está no poder de forma ilegítima porque roubou as eleições de 2018, se beneficie de roubar uma segunda eleição", alertou o chefe da diplomacia americana, Mike Pompeo, em um comunicado.

As eleições foram marcadas por uma forte abstenção, de 69%, depois que os principais partidos opositores, liderados por Guaidó, apelaram à população para ficar em casa e não participar de uma "fraude".

O Grupo de Lima, que promove uma transição pacífica na Venezuela, afirmou que as eleições "carecem de legalidade e legitimidade", de modo que a vitória do partido socialista de Maduro e seus aliados "não deve ser reconhecida pela comunidade internacional".

Este bloco internacional, formado em 2017 por iniciativa do Peru, afirmou que as eleições "foram realizadas sem as garantias mínimas de um processo democrático, de liberdade, segurança e transparência, nem de integridade dos votos, nem de participação de todas as forças políticas, nem de observação internacional".

A declaração do Grupo de Lima foi assinada por Brasil, Canadá, Chile, Colômbia, Costa Rica, Equador, El Salvador, Guatemala, Guiana, Haiti, Honduras, Panamá, Paraguai, Peru, República Dominicana e Santa Lúcia, países que reconhecem Guaidó como o presidente encarregado da Venezuela.

Além de aderir à declaração, o Brasil foi um dos primeiros países a condenar uma eleição que chamou de "farsa eleitoral".

"O regime de Maduro promoveu hoje 'eleições parlamentares' na Venezuela para tentar se legitimar. Só se legitimará aos olhos daqueles que apreciam ou toleram a ditadura e o crime organizado", publicou o ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, no Twitter.

O Uruguai, por sua vez, manifestou sua "preocupação" com o processo eleitoral.

"A preparação e o desenvolvimento dessas eleições desviaram-se dos padrões internacionais, devido à inexistência de órgãos de controle independentes e imparciais no país e porque não vigoram atualmente na Venezuela o estado de direito e a separação de poderes", declarou a chancelaria uruguaia em nota.

- Sem "padrões internacionais mínimos" -

Já a União Europeia afirmou que "não pode reconhecer este processo eleitoral como confiável, inclusivo ou transparente", uma vez que não cumpriu "padrões internacionais mínimos", de acordo seu chefe de diplomacia, o espanhol Josep Borrell.

O Reino Unido também não "reconhecerá a legitimidade" da nova Assembleia Nacional da Venezuela, resultante de "eleições profundamente falhas em 6 de dezembro", segundo o ministro das Relações Exteriores britânico, Dominic Raab.

"Seguimos reconhecendo Juan Guaidó como presidente da Assembleia Nacional e como presidente constitucional interino da Venezuela", acrescentou Raab no Twitter.

Em meio à rejeição internacional, no entanto, Maduro encontrou algumas vozes de apoio.

"Quero que a União Europeia reflita", disse o ex-presidente do governo espanhol José Luis Rodríguez Zapatero, que liderou processos de diálogo fracassados na Venezuela e, desta vez, atuou como observador eleitoral. "Não reconhecer é ignorar? É preciso se comprometer", argumentou.

O governo russo, aliado de Maduro, elogiou as eleições "transparentes". "O processo eleitoral venezuelano foi organizado de forma mais responsável e transparente do que em alguns países que costumam se apresentar como um exemplo de democracia", disse em nota o Ministério das Relações Exteriores da Rússia.

"Partimos do princípio de que a nova Assembleia Nacional será a base (...) para um diálogo construtivo entre todas as forças políticas" e ajudará "a superar as divergências que existem na sociedade venezuelana por meio de negociações", ressaltou.

Os ex-presidentes Evo Morales, da Bolívia; Rafael Correa, do Equador; e Fernando Lugo, do Paraguai, foram convidados a acompanhar a votação pelo governo chavista. "Essas eleições vão fortalecer a democracia na América Latina", declarou Morales.

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