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Equador admite "problemas" na gestão dos mortos durante pandemia

Presidente do Equador, Lenín Moreno (centro), em reunião com parte de seu gabinete de ministros, em Quito, em 10 de abril de 2020 afp_tickers
Este conteúdo foi publicado em 02. maio 2020 - 14:19
(AFP)

O presidente do Equador, Lenín Moreno, reconheceu na sexta-feira (1o) que seu governo enfrentou "problemas" na gestão dos mortos durante a emergência sanitária pelo novo coronavírus, que levou ao colapso de hospitais e funerárias.

"Devemos reconhecer que, na fase inicial, tivemos problemas em lidar com os mortos, porque tomamos a decisão de enterrar dignamente cada equatoriano morto, e não como muitos outros países fizeram, criando valas comuns", disse Moreno, em pronunciamento por rádio e televisão.

Em março, quando o presidente declarou emergência de saúde, Guayaquil (sudoeste do país) se tornou o epicentro da pandemia no Equador, expondo imagens de cadáveres em casas e ruas da cidade.

O caos registrado nesse porto levou o governo a criar no mesmo mês uma força-tarefa conjunta militar e policial para recolher os mortos - nem todos pela COVID-19.

As autoridades também instalaram contêineres para armazenar os corpos, devido à falta de capacidade dos necrotérios dos hospitais.

De 17,5 milhões de habitantes, o Equador registrou até ontem 26.336 casos de contágio por coronavírus, incluindo 1.063 óbitos.

As autoridades estimam que existem outras 1.606 mortes "prováveis" pela COVID-19, que não foram submetidas ao testes de diagnóstico.

Guayaquil é a cidade mais atingida pela pandemia, com cerca de 8.100 casos.

Moreno disse que, depois de superar os problemas da fase inicial, há uma "redução drástica no número de mortes", especialmente na província de Guayas, cuja capital é Guayaquil.

Em março e abril, houve 10.169 mortes a mais por causas diversas do que nos mesmos meses de 2019 em Guayas, segundo dados oficiais.

Em meio à crise da pandemia, o pico diário de mortes naquela província foi de 677, em 4 de abril. Naquela data, o número de mortes caiu para 36, segundo dados de 29 de abril.

O governador considerou que "a velocidade de expansão do vírus foi reduzida" no país.

O Ministério Público do Equador investiga funcionários de três hospitais de Guayaquil por "violações na gestão do sistema de identificação" dos mortos.

Nessa cidade, os moradores reclamam os corpos de seus entes queridos e alegam que receberam os restos mortais de outras pessoas, devido a erros de identidade.

"Houve uma suposta negligência por parte dos funcionários de hospitais públicos no manejo dos corpos", disse a promotora Yanina Villagómez em um comunicado.

As autoridades aguardam a identificação de 131 corpos que estão em contêineres em um hospital, de acordo com o Ministério Público.

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