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Escâner em aeroporto para detectar COVID-19 é ineficaz, diz agência americana

Um homem usando máscara de gás no aeroporto Hartsfield-Jackson, em Atlanta International Airport in Atlanta, on April 23, 2020 afp_tickers
Este conteúdo foi publicado em 11. maio 2020 - 21:36
(AFP)

Escanear passageiros nos aeroportos como forma de detectar estágios iniciais de infecção pelo coronavírus é ineficaz porque pessoas podem transmiti-lo vírus sem apresentar sintomas, avaliou a agência de saúde americana nesta segunda-feira (11).

As análises realizadas pelo Centro de Prevenção e Controle de Doenças (CDC, na sigla em inglês) foram publicadas dias depois que uma matéria reportou que a Casa Branca estava pressionando para o uso dessa estratégia como forma de retomar o fluxo aéreo.

E-mails internos obtidos pelo USA TODAY no último sábado mostraram oficiais do CDC solicitando que o governo do presidente Donald Trump reconsiderasse o plano de verificação térmico como um meio eficaz.

Desde 3 de fevereiro, os EUA começaram a rastrear passageiros que chegavam da China, questionando-os sobre possíveis sintomas e usando escâneres corporais para medir suas temperaturas, posteriormente aplicando a mesma medida para pessoas vindas do Irã.

Como a maior parte dos primeiros casos nos EUA veio da Costa Oeste, o relatório do CDC se concentrou na Califórnia.

As autoridades examinaram cerca de 12.000 passageiros entre 3 de fevereiro e 17 de março, dando instruções sobre auto-monitoramento.

Mas apenas três desses passageiros estavam com COVID-19 depois entre os 26.182 pacientes registrados na Califórnia até 15 de abril.

Isso sugere que o uso do equipamento foi um fracasso quase que completo.

"Os benefícios da checagem da temperatura corporal para detecção de casos no aeroporto podem ser limitados para uma doença respiratória com potencial para transmissão pré-sintomática e assintomática como a COVID-19", escreveram os autores dos relatórios.

Por outro lado, a triagem no aeroporto para o ebola durante o surto de 2014-2015 foi mais eficaz porque a doença "tem manifestações clínicas óbvias, é contagiosa somente após o início dos sintomas e um número menor de viajantes precisava de monitoramento", acrescentou o documento.

De acordo com o relatório publicado no USA TODAY, a Casa Branca estaria tentando aplicar a medida de verificação nos viajantes em 20 aeroportos.

O chefe de gabinete de Trump, Mark Meadows, disse que o esforço seria visível e permitiria que os viajantes voltassem a ter confiança para viajar, segundo informações divulgadas pelo jornal.

No entanto, Martin Cetron, diretor de Mitigação Global e Quarentena do CDC, recuou sobre essa opinião, segundo o jornal.

"O escaneamento térmico proposto é uma estratégia de controle e detecção mal projetada, como aprendemos com muita clareza", escrevi em um e-mail aos funcionários do Departamento de Segurança Interna.

"Deveríamos concentrar nossos recursos do CDC onde a missão tiver impacto e probabilidade de sucesso".

Segundo o plano discutido, os passageiros detectados seriam encaminhados ao CDC.

O e-mail de Cetron encerrou da seguinte forma: "Por favor, tire o CDC dessa função".

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