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Ex-preso de Guantánamo abre loja de comida árabe no Uruguai

O sírio Ahmed Adnan Ahjam oferece seus doces na inauguração do seu empreendimento gastronômico em Montevidéu, em 13 de agosto de 2018 afp_tickers
Este conteúdo foi publicado em 13. agosto 2018 - 20:06
(AFP)

Ahmed Ahjam chegou ao Uruguai em 2014 junto com outros seis ex-detidos da prisão americana de Guantánamo, e, nesta segunda-feira (13), realizou seu "sonho" de ter um empreendimento próprio no país onde foi acolhido.

"Ahmed Ahjam. Gastronomia árabe", aparece em um dos cartazes que identificam a pequena loja que vende sobretudo doces árabes e que o sírio de 41 anos inaugurou em Montevidéu com o apoio do município.

Em pequenos quadros escritos à mão são anunciados os produtos que oferece ao público: baclava, à base de pistache e nozes; tahine, feito a partir do gergelim; ou simples bombons para agradar ao paladar local.

Ahjam pretende ter uma vida nova no Uruguai com base nessa iniciativa que começou de forma artesanal, vendendo pelo Facebook, depois de ficar preso em Guantánamo e de sua chegada a Montevidéu após um acordo entre os então presidentes dos Estados Unidos Barack Obama (2009-2017) e do Uruguai José Mujica (2010-2015).

"Estou realizando um sonho. É muito importante na minha nova vida. Agradeço muito aos uruguaios que estão à minha volta. Vou trabalhar muito", disse o homem.

Ele se tornou, assim, em caso de sucesso de um projeto de integração que teve muitas idas e vindas e gerou polêmica no país sul-americano, que recebeu os ex-detidos no âmbito de um programa com apoio econômico provisório que iria se reduzindo com o tempo.

"É muito simbólico que alguém, um refugiado, encontre uma alternativa para viver, encontre um empreendimento produtivo. Todos deveriam ter essa oportunidade", sobretudo em uma "terra de imigrantes" como o Uruguai, opinou o prefeito de Montevidéu, Daniel Martínez, da esquerdista Frente Ampla, partido de Mujica, presente na inauguração.

O projeto foi desenvolvido com o apoio de uma incubadora dependente da Prefeitura, a Cedel.

A diretora de uma das filiais dessa organização, Verónica de Gregorio, contou à AFP que o sírio procurou apoio para "desenvolver seu empreendimento" em 2016.

"A partir desse processo, se apresenta em eventos e feiras, e nos contou que um dia tem o sonho de ter um espaço seu" no Mercado Agrícola de Montevidéu, declarou De Gregorio.

O projeto surgiu em 2017 e Ahmed Ahjam participou de todas as etapas.

"Não está (no programa de apoio) por ser um ex-preso de Guantánamo, mas porque tem um perfil empreendedor, e o processo que vem executando faz com que o ajudemos cada vez mais", resumiu a responsável da incubadora.

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