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França retira condecoração dada a ex-capitão da ditadura argentina

O presidente francês, Emmanuel Macron, participa por videoconferência da reunião de líderes do G20 no Palácio do Eliseu, em Paris, 26 de março de 2020 afp_tickers
Este conteúdo foi publicado em 07. maio 2020 - 23:32
(AFP)

O governo francês retirou uma condecoração concedida em 1985 ao ex-capitão de corveta Ricardo Cavallo, condenado anos depois por crimes contra a humanidade na ditadura argentina (1976-1983), informou nesta quinta-feira (7) o Ministério das Relações Exteriores do país sul-americano.

"A pedido do governo argentino, o Ministério das Relações Exteriores recebeu uma notificação de que o presidente da França, Emmanuel Macron, e o primeiro-ministro, Edouard Philippe, assinaram o decreto pelo qual eles retiravam a Ordem de Mérito Nacional que aquele país havia lhe concedido no dia 27 de junho de 1985, ao repressor Ricardo Cavallo", segundo o comunicado da chancelaria.

Na época, Cavallo trabalhava como adido naval na representação diplomática argentina em Paris.

O pedido foi uma solicitação dos sobreviventes da ditadura e foi transmitido à França durante a visita oficial que o presidente Alberto Fernández fez a esse país em fevereiro, lembrou o comunicado.

Cavallo está preso na Argentina depois de duas sentenças de prisão perpétua, uma recebida em 2011 por vários crimes no centro clandestino de tortura que funcionava na Escola de Mecânica do Exército (ESMA) e outra em 2017 em um julgamento pelo chamado "voos da morte".

Cavallo, também conhecido como "Sérpico" ou "Marcelo", 68 anos, foi um dos oficiais da Marinha que fazia parte do Grupo de Tarefas 3.3.2, responsável por milhares de sequestros, torturas, estupros e assassinatos na ESMA, incluindo os das freiras francesas Alice Domon e Léonie Duquet em 1977.

A existência da condecoração para o ex-capitão havia sido confirmada em 2010 pelo então ministro das Relações Exteriores da França, Bernard Kourchner, a pedido da organização humanitária Nouvaux Droits de L'Homme.

Desde então, os sobreviventes da ESMA têm exigido a retirada da distinção.

No comunicado, o Ministério das Relações Exteriores da Argentina agradeceu ao presidente Macron e seu ministro das Relações Exteriores, Jean-Yves Le Drian, "pela pronta resposta a um pedido de vítimas de terrorismo de Estado".

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