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Governador do Rio, Wilson Witzel é afastado por suspeita de corrupção

Wilson Witzel, governador do Rio, em foto de setembro de 2019, foi afastado pela justiça por pelo menos seis meses afp_tickers
Este conteúdo foi publicado em 28. agosto 2020 - 13:14
(AFP)

O Superior Tribunal de Justiça (STJ) afastou do cargo o governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel, por suspeitas de corrupção na área da Saúde em plena pandemia de coronavírus - informou a Procuradoria-Geral nesta sexta-feira (28).

Witzel, de 52 anos, rejeitou as acusações, prometeu lutar para reverter a decisão e denunciou uma "perseguição" política, mencionando os seus embates com o presidente Jair Bolsonaro, de quem era aliado.

O desligamento do cargo, por um período mínimo de seis meses, ocorreu por determinação do STJ, que proibiu Witzel de acessar os gabinetes e áreas internas do governo, embora possa continuar morando no Palácio das Laranjeiras, residência oficial dos governadores no Rio, enquanto o caso segue na Justiça.

"O grupo criminoso [formado por membros do governo do Rio e empresário] agiu e continua agindo, desviando e lavando recursos em plena pandemia da Covid-19", afirmou o ministro do STJ, Benedito Gonçalves.

Gonçalves também determinou dezenas de ordens de busca e apreensão com impressionante mobilização policial, inclusive no Palácio das Laranjeiras, sobrevoado por helicópteros.

Witzel será substituído interinamente pelo vice-governador, Cláudio Castro.

A Justiça também emitiu mandados de prisão a vários empresários e ao pastor Everaldo, líder evangélico que preside o Partido Social Cristão (PSC), sigla à qual Witzel pertence.

A primeira-dama, Helena Witzel, também foi denunciada, após a identificação de pagamentos ao seu escritório de advocacia realizados por empresários envolvidos nos esquema.

Segundo a Procuradoria-Geral da República, Witzel criou desde sua chegada ao cargo, em janeiro de 2019, um "caixa dois" para receber propinas de empresas na atribuição de licitações.

Entre os casos investigados, figura a gestão dos hospitais de campanha previstos para pacientes afetados pela Covid-19, assim como a compra irregular de respiradores e medicamentos.

Dos sete hospitais planejados, apenas dois saíram do papel.

A polícia já havia estado no Palácio de Laranjeiras em 26 de maio por suspeita de fraude no plano de combate à pandemia, e duas semanas depois a Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) abriu processo de impeachment contra o governador.

- "Massacrado politicamente" -

Em nota à imprensa, Witzel afirmou que está sendo "massacrado politicamente" em nome de "interesses poderosos".

"Vamos tomar as providências necessárias junto ao STJ e STF para que rapidamente seja revertido esse afastamento", disse em pronunciamento.

"O processo penal brasileiro está se transformando num circo", continuou.

"Eu, assim como outros governadores, estamos sendo vítimas de um possível uso político da instituição" ressaltou Witzel, apontando as supostas ligações entre a família Bolsonaro e a procuradora que investiga as denúncias de fraude na compra dos suprimentos médicos.

O colegiado especial de 15 membros do STJ discutirá seu caso na próxima quarta-feira.

Ex-magistrado, Witzel, foi aliado do presidente Jair Bolsonaro nas eleições de 2018, aderindo ao seu discurso de combate à corrupção e ao crime organizado.

Mas depois se tornou um de seus opositores mais fortes, devido ao avanço das investigações judiciais que envolvem o primogênito do presidente, o senador Flávio Bolsonaro, radicadas no Rio, e mais recentemente por divergências sobre as medidas de isolamento adotadas para conter o avanço da pandemia.

"Bolsonaro já declarou que quer o Rio de Janeiro. Já me acusou de perseguir a família dele, mas diferentemente do que ele imagina, aqui a Polícia Civil e o Ministério Público são independentes", afirmou Witzel nesta sexta-feira.

- Rio, esplendor e decadência -

O estado do Rio de Janeiro, com 16,5 milhões de habitantes, cuja capital homônima é um cartão postal do Brasil, viveu suas últimas horas de glória com os Jogos Olímpicos, em 2016, antes de mergulhar em uma grave crise econômica e de segurança.

Desde o início da pandemia, o estado já registrou 15.800 mortes pela Covid-19, que em todo o país já tirou quase 119.000 vidas até o momento. A taxa de mortalidade é de 92 por 100.000 habitantes, muito superior à média nacional (56 por 100.000).

Com Witzel, cinco dos seis governadores do Rio de Janeiro em exercício desde 1998 tiveram problemas com a justiça, e quatro deles foram presos em algum momento.

O caso mais emblemático é o de Sérgio Cabral (2007-2014), preso desde 2016 e condenado a cerca de 300 anos de prisão em diferentes casos de corrupção, inclusive um relacionado com a reforma do estádio do Maracanã para a Copa de 2014.

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