Navigation

Governo peruano denuncia que presidente do Congresso buscou envolver militares no processo de destituição de Vizcarra

O premier Walter Martos faz um pronunciamento em Lima afp_tickers
Este conteúdo foi publicado em 13. setembro 2020 - 00:42
(AFP)

O governo peruano denunciou neste sábado que o presidente do Congresso, Manuel Merino, contactou de forma irregular chefes militares, para "envolvê-los" no processo de destituição contra o presidente Martín Vizcarra.

"Fomos testemunhas de um fato gravíssimo, com a participação do presidente do Congresso, de tentar envolver as Forças Armadas em um processo político no qual não têm que ter nenhuma participação", declarou o premier e general reformado Walter Martos.

O presidente do Congresso negou a versão, mas admitiu que se comunicou com o chefe da Marinha no contexto da crise política em andamento. "Tentou-se confundir a população, fazendo a mesma acreditar que há um complô", criticou Merino em entrevista coletiva.

O Congresso peruano aprovou ontem submeter Vizcarra a um processo de destituição por "incapacidade moral". Ele é acusado de pedir a colaboradores que mentissem em uma investigação sobre um contrato polêmico envolvendo um cantor. O processo terá início na próxima sexta-feira.

Em caso de destituição de Vizcarra, Merino deverá assumir a presidência peruana até o fim do atual mandato, em 28 de julho de 2021, segundo a Constituição.

"A atitude do presidente do Congresso foi temerária, ao pretender envolver as Forças Armadas em um processo político", declarou o ministro da Defesa e general reformado, Jorge Chávez.

O chefe do Legislativo admitiu, pouco depois, que entrou em contato com o chefe da Marinha de Guerra, almirante Fernando Cerdán Ruiz, para lhe explicar o que o Congresso faz, mas negou que se trate de um complô.

Segundo o ministro da Defesa, na última quinta-feira, "antes da votação da moção de vacância (no dia seguinte, no Congresso), o titular do parlamento, Manuel Merino, comunicou-se com o comandante geral da Marinha para discutir este processo". Também telefonou para o chefe do Comando Conjunto das Forças Armadas, general César Astudillo, mas este não respondeu às chamadas.

"Os telefonemas não apenas foram imprudentes e fora de lugar, mas também vão de encontro à ordem democrática", criticou o ministro.

O premier Martos havia indicado ontem que existia um complô no Congresso para remover Vizcarra. "Convocamos as forças democráticas do Congresso a não se prestarem às tentativas de desestabilizar o país", disse Martos neste sábado.

Partilhar este artigo

Participe da discussão

Com uma conta SWI, você pode contribuir com comentários em nosso site.

Faça o login ou registre-se aqui.