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O indicador do grau de ameaça terrorista permanecia no nível três, em uma escala que vai até cinco.

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A Grã-Bretanha reforçou a segurança nos aeroportos após uma advertência dos Estados Unidos e em meio aos temores pelo retorno dos jihadistas europeus do Iraque e da Síria, assim como pelo desenvolvimento de explosivos mais difíceis de detectar.

As autoridades não divulgaram detalhes sobre as novas medidas de segurança, mas o indicador britânico do grau e ameaça terrorista permanecia em "substancial" - nível três em uma escala que vai até cinco - e não foi alterado.

"Tomamos estas decisões baseando-nos nas evidências das quais dispomos e trabalhando com nossos aliados", explicou à rede de televisão Sky o primeiro-ministro britânico, David Cameron.

"A segurança dos viajantes é o mais importante, não podemos correr nenhum risco", acrescentou.

Joëlle Milquet, ministra do Interior da Bélgica, onde também foi fortalecida a segurança, deu detalhes.

"Trata-se principalmente de examinar material eletr^nico, tablets, computadores, celulares, para nos assegurarmos de que não há substâncias explosivas", afirmou à televisão RTL-TVI.

Paralelamente, a embaixada americana em Uganda advertiu para a ameaça específica de ataque terrorista na noite desta quinta-feira no aeroporto internacional de Campala, a capital do país.

A embaixada falou de "uma ameaça específica de ataque contra o aeroporto internacional de Entebe pelas mãos de um grupo terrorista desconhecido neste 3 de julho entre as 21h00 e as 23h00 locais (15h00-17h00 de Brasília)".

Tudo normal em Heathrow

O vice-primeiro-ministro britânico, Nick Clegg, e o ministro dos Transportes, Patrick McLoughlin, tentaram tranquilizar a população, justamente no início das férias de verão.

"É muito importante que trabalhemos - como estamos fazendo - com nossos aliados americanos" para "que, quando são identificadas novas ameaças, os aeroportos de todo o mundo respondam a elas", disse Clegg ao canal ITV.

McLoughlin declarou à emissora Sky News que não espera atrasos significativos por culpa das novas medidas de segurança.

Um jornalista da AFP compareceu ao aeroporto de Heathrow, o mais importante de Londres, e não observou filas maiores que o habitual.

Funcionários dos serviços de segurança afirmaram que estavam cientes das medidas intensificadas de segurança, mas destacaram que transcorria com normalidade.

Para o analista em segurança aérea Philip Baum, as revistas aleatórias de passageiros devem aumentar e todos provavelmente serão obrigados a tirar os sapatos para passar pelas barreiras de segurança.

As autoridades americanas afirmaram na quarta-feira que era necessário reforçar a segurança nos aeroportos da Europa e Oriente Médio com voos diretos aos Estados Unidos.

O anúncio foi feito às vésperas do 4 de julho, Dia da Independência dos Estados Unidos.

"Estamos compartilhando com nossos aliados internacionais informações recentes e relevantes", afirmou em um comunicado o secretário de Segurança Interna dos Estados Unidos, Jeh Johnson.

Nos últimos meses, vários analistas americanos afirmaram que é possível que grupos extremistas tenham desenvolvido novas táticas para evitar os controles de segurança.

O cenário coincide com a inquietação provocada pelo retorno do Iraque e da Síria de jihadistas europeus experientes nas guerras, que poderiam viajar aos Estados Unidos com seus passaportes sem a necessidade de visto.

Cameron afirmou que os militantes que retornam da Síria e do Iraque representam uma ameaça maior que os do Paquistão e Afeganistão. Ele calculou em 400 o número de combatentes britânicos nas fileiras da organização antes conhecida como Estado Islâmico no Iraque Levante (EIIL) e agora apenas Estado Islâmico (EI).

Tentativas frustradas

Nos últimos anos se multiplicaram as tentativas de atentar contra aviões com métodos pouco convencionais.

Em 2001, o britânico Richard Reid foi dominado pela tripulação e pelos passageiros de um voo de Londres a Boston quando tentava acender com fósforos - que haviam se molhado - uma bomba em seu sapato.

Em 2006, a polícia britânica frustrou um plano para detonar vários aviões que voavam do Reino Unido aos Estados Unidos com explosivos líquidos.

Os terroristas pretendiam entrar nos aviões com as partes das bombas separadas e armá-las posteriormente.

Desde então, foi limitada a quantidade de líquido que os passageiros podem carregar ao entrar na zona de embarque.

No dia 25 de dezembro de 2009, um nigeriano tentou explodir uma "cueca-bomba" em um voo entre Amsterdã e Detroit, mas o artefato se incendiou sem explodir, ferindo-o.

"Embora seja preciso ser prudente e cauteloso, estes caras são uns 'fracassados seriais'", declarou à BBC Ben Friedman, especialista em defesa e segurança do Instituto Cato de Washington, avaliando estas tentativas.

AFP